Garota exemplar

Pra encerrar esse mês repleto de suspense, trouxe um dos livros mais conhecidos quando o assunto é esse, “Garota exemplar”.

A história é dividida em três partes, sendo a primeira dividida entre acontecimentos atuais contados pelo protagonista, Nick Dunne, e a outra por anotações antigas do diário de sua mulher, Amy. As duas partes seguintes, são divididas entre narrativas de ambos, no presente.

Nick é jornalista, um homem tímido que mora em Nova York, vindo do interior, e trabalha em uma revista. Amy é deslumbrante e filha única, vinda de uma família rica, foi a inspiração para a série de livros escritos pelos pais, “Amy Exemplar”.

O casamento que no começo era repleto de amor e cumplicidade, vai tomando rumos diferentes, levando os dois a se comportarem de maneira estranha um com o outro e começarem a mentir.

O que já não ia bem, começa a piorar. Após perderem o emprego, a mãe de Nick fica doente, e eles decidem se mudar da fabulosa Nova York para o Missouri.

Com uma relação conturbada com o pai, e a mãe em estado grave, Nick decide abrir um bar com a sua irmã gêmea, Go. Amy não tem emprego na cidade nova e passa os dias trancada em casa, fazendo funções de uma “dona de casa”.

No aniversário de cinco anos de casamento, Nick recebe uma ligação do vizinho, avisando que sua casa está com a porta aberta. Ao chegar, encontra o lugar no mais absoluto silêncio. A chaleira ainda está no fogo, o ferro de passar está ligado e a sala parece ter sido local de uma briga.         

Após conversar com os vizinhos e descobrir que eles não sabem e não viram nada, ele chama a polícia. O caso logo é dado como sequestro, e como Nick, aparentemente, não tem um álibi, se torna suspeito.

O que ninguém sabe, é que ele tem um álibi. Andie, sua amante de 23 anos, o que piora, e muito, sua situação.

Era uma tradição para Amy fazer uma caça ao tesouro nos aniversários de casamento, deixando pistas em lugares dos quais ela tinha boas lembranças dos dois juntos ao longo do ano que passou. Nick nunca gostou desses jogos, sempre achou difícil decifrar as pistas da mulher, o que a deixava frustrada. Mas, como essa podia ser a única forma de descobrir mais sobre o que aconteceu na manhã em que Amy sumiu, ele decide ir até o final.

Foto por Craig Adderley em Pexels.com

O que ele não esperava é que quanto mais ele tenta encontrar sua mulher, mais ele vai se tornando o principal suspeito. E tudo piora quando o diário de Amy é encontrado.

Como já foi dito, a narração de Nick é intercalada com trechos do diário de Amy na primeira parte do livro, o que bagunça a cabeça do leitor, e me faz refletir sobre como nossa visão sobre alguém pode mudar dependendo do que ouvimos, ou no caso lemos, sobre ela.

Do ponto de vista do Nick, Amy é uma mulher extremamente difícil de lidar, cheia de truques e armadilhas capazes de enlouquecer qualquer um. Já nas anotações do diário, ela é somente uma mulher desesperada para recuperar o amor do marido, que parece ter desistido do casamento e tem traços muito graves de ser abusivo.

Confesso que a história demorou um pouco pra me pegar. Achei o começo muito cheio de divagações, mas depois de umas 80 páginas ela me prendeu de uma forma maluca. E quanto mais eu lia, mais em dúvida eu ficava, sobre quem falava a verdade.

A história, diferente de outras de suspense, tem uma das maiores reviravoltas logo no meio, o que pode fazer você pensar que o livro fica tedioso depois, mas é completamente o contrário. Você quer continuar lendo pra saber o que vai acontecer depois daí, e ela continua nos surpreendendo.

Com um final nada tradicional, a trama termina com você querendo sacudir a autora e perguntar: PELO AMOR DE DEUS, FAZ UMA CONTINUAÇÃO, NÃO É POSSÍVEL QUE VAI TERMINAR DESSE JEITO!

Ao fazer a resenha tomei muito cuidado com spoilers e para ser imparcial, deixar o mistério no ar, pois minha vontade era sair escrevendo todas as minhas indignações com o desfecho, mas acredito que a ideia da autora era exatamente essa. Nem todas as histórias tem finais felizes, algumas têm apenas finais.

Quanto mais eu lia, mais eu achava que era impossível alguém ter uma mente como a dos personagens, mas Gillian, a autora, tem, e isso faz dela brilhante (e um pouco assustadora também).

Um livro com sacadas inteligentes e reviravoltas surpreendentes, que mesmo depois de dias que eu terminei de ler, ainda penso sobre. Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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3 comentários em “Garota exemplar

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  1. Eu compartilho das mesmas indignações. Cadê a continuação? Pelo amor de Deus! Curti demais a resenha, manteve todo o mistério e para quem já leu esse titulo, ficou aquele ar de “quero mais!”

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