Fala, leitores!
Estamos na segunda semana de 2022 e eu só quero reforçar os meus votos de prosperidade para todos vocês. E para entrar num clima bem legal de ano novo, trouxe para vocês “Enquanto eu não te encontro”, escrito pelo autor brasileiro Pedro Rhuas.
O livro é simplesmente uma febre e é difícil não gostar. Particularmente, parecia que eu estava lendo um diário pessoal. A leitura te acolhe de um jeito fora do comum, talvez um pouco mais forte com a comunidade LGBTQIAP+. Isso porque Pedro traz tantas referencias nesse livro que é impossível não se sentir em casa com ele.
O Bruno — aqui quem vos fala — de 18 anos (hoje com 31 e contando) surtou com essa história. É muito engraçado quando isso acontece por que, enquanto eu lia, memórias surgiam, umas nostálgicas e outras nem tanto.
Quando você faz parte do vale encantado, tudo é mais intenso. E quando falamos de amor, falamos de um caminho até perigoso. Perigoso no sentido de descobertas, da entrega, de “sair do armário” para um mundo que, infelizmente, não está preparado para essa enxurrada de arco-íris.
Recentemente, assistindo um episódio de Queer Eye, Karamo Brown disse que ele não gostava da expressão “sair do armário!”. Que na verdade, não saímos de lugar nenhum e sim abrimos a porta do nosso mundo para que as pessoas pudessem entrar e nos conhecer realmente.
Gostaria de ter ouvido esse conselho antes! ❤
Enfim, quem aqui não se lembra do furacão e do caos que é o primeiro amor? Ou de alguém que te marcou de tal forma a ponto de abalar suas estruturas? Talvez alguém que você achou que ficaria para sempre, mas na verdade só serviu de condutor para sua travessia?

“E apesar de não acreditar em destino ou no Universo, eu sempre acreditei que às vezes passam por nós pessoas que aparecem somente pra sussurrar ou gritar verdades contra as quais vivemos em fuga.”
“Enquanto eu não te encontro” conta a história de Lucas, o protagonista mais contagiante que já conheci. Ele se mudou do interior do Rio Grande do Norte para Natal para morar com o seu melhor amigo Eric após ingressar na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Na busca de conquistar a liberdade que tanto sonhavam juntos, os dois amigos estão dispostos a aproveitar o máximo dessa experiência longe de casa. E como diz Inês Brasil: “Me chama que eu vô!”.
Mas alegria de pobre dura pouco, até a página dois, né mores?
Eric se apaixona por Raul e não demora muito para que ele largasse o amigo à deriva. Os finais de semana badalados que tanto sonhavam se tornaram personagens num grande episódio de Grey’s Anatomy, morte atrás de morte!
Até que certo dia, Titanic é inaugurado.
“Titanic?”

Calma, eu explico! Titanic é a promessa da perfeição. A casa noturna LGBTQIAP+ mais aguardada de todos os tempos, com formato de navio e tudo que se tem direito. E não há iceberg no mundo que vá parar Lucas! Aproveitar essa noite ao som das suas divas pop é a meta da sua vida, ou a oportunidade perfeita para deixar seus problemas de lado.
Já contei que Lucas é a pessoa mais desastrada no mundo? Pois então, a mais azarada também! Um rapaz acaba derrubando bebida em sua calça. É nesse momento que o nosso protagonista conhece o Pierre, o nosso Davi de Michelangelo, no quesito beleza e não nacionalidade, o bonitão é francês!
Entre desculpas, drinks de conciliação, bate papo intenso, olhares, paquera inocente e sensações inusitadas, ambos criam uma conexão imediata, pura e significativa.
Assim como a Cinderela, Lucas teve que voltar para a casa. Não porque tinha hora e sim porque Eric bebeu além do esperado. Além de levar o boy para a festa — vulgo Raul, argh—, o amigo conseguiu estragar um dos seus momentos mais felizes.
Na promessa de encontrar o rapaz novamente, Lucas e Pierre se despedem na porta do Titanic. Para completar a vida de um desastrado, um acidente acontece e Lucas se depara com seu celular despedaçado. O único meio que tinha de reencontrar o seu francês bonitão. Para Lucas, o navio afundara naquele momento. Será que o universo está a favor desse casal?
É nesse romance de encontros e desencontros que Pedro Rhuas nos acolhe num clichê poético, repleto de referências e tão necessário para a nossa comunidade. É muito bom encontrar um título que faz jus à nossa história e se reconhecer através de personagens tão icônico é melhor ainda.
Se você gostou dessa resenha, vou deixar o link para compra do livro aqui no finalzinho. Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para — amar — recordar?
