Todo mundo da minha família já matou alguém

O primeiro livro que leio de Benjamin Stevenson foi uma grata surpresa e eu adoro quando autores novos me surpreendem.

A trama é narrada por Ernest, um escritor que sempre escreveu sobre romances policiais. Até que finalmente decide publicar a sua própria história – que pelo título do livro já da pra saber o motivo pelo qual suspense é seu gênero literário favorito.

Tudo começou há 3 anos, quando seu irmão, Michael, apareceu em sua porta uma madrugada com um homem morto no banco do carro. O rapaz jura que foi um acidente e implora a ajuda do caçula. Como família é sempre o mais importante (principalmente se tratando de um Cunningham), Ernest sai madrugada adentro para ajudar o irmão a se livrar do corpo.

Porém, ao chegar em casa, a realidade abala nosso narrador, que denuncia o próprio irmão, o condenando a 3 anos de prisão.

Ernest só esqueceu de contar a polícia sobre o dinheiro que Michael deixou com ele, que obviamente era do homem morto.

Levando em conta o histórico familiar, os Cunningham nunca se deram bem com a polícia (lembre-se, todo mundo da família já matou alguém) e quando o caçula decidiu entregar o irmão, foi visto como um grande traidor, principalmente por sua mãe.

Três anos se passaram e finalmente chega o momento em que Michael será solto. Por isso a tia Katherine decide reunir a família em um resort em uma montanha na neve – local ideal para uma trama de suspense.

Mesmo com receio, Ernest sabe que não pode recusar o convite (que estava mais pra intimação) e decide levar com ele a bolsa com o dinheiro, afinal ela “pertence” ao irmão.

Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com

É assim que todos os Cunningham, seja por sangue ou casamento, se reunem depois de tanto tempo.

Como todo mundo daquela família já matou alguém, não é surpresa quando, na manhã em que Michael é solto e está indo ao encontro da família, um corpo é encontrado no meio da neve.

Mas Michael claramente é inocente certo? Ele estava preso durante a madrugada. Ou pelo menos era o que todos pensavam, o que se prova ser uma mentira, tornando o ex-presidiário o principal suspeito.

Tentando provar sua inocência, Michael conta com a ajuda do irmão, que dessa vez fará de tudo para descobrir o que aconteceu naquela madrugada. O que Ernest não sabia era que mais corpos apareciam em sua busca pela verdade, assim como segredos ocultos da própria família.

Todos os Cunningham são suspeitos, mas quem é o verdadeiro assassino dessa vez? Quem é o homem misterioso que apareceu morto no resort? Quem o matou? Michael é mesmo inocente? Se sim, onde ele estava na noite anterior ao crime? Qual relação a morte do homem misterioso tem com a história da família Cunningham? Matar alguém, mesmo que por acidente, te torna um assassino?

O que eu mais gostei na trama foi a forma direta que o autor contou tudo. Desde o começo ele disse que seria honesto e revelaria todas as suas descobertas conforme fosse desvendando o mistério. E foi exatamente o que ele fez. Tudo o que ele disse aconteceu. Ele adiantou no início do livro até mesmo as páginas em que haveriam mortes e mesmo assim conseguiu nos surpreender até o final.

Eu com certeza quero ler outros livros de Benjamin Stevenson, mas agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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