Fala, leitores!
Imagine ser enviado para um dos internatos mais prestigiados dos EUA, descobrir que o lugar esconde segredos assustadores e, de repente, perceber que ninguém parece muito preocupado com o desaparecimento do seu irmão. Eu teria surtado! Pois essa é apenas a primeira das muitas situações que encontramos em Ninguém Vai Te Ouvir Gritar, de Mark Miller.
A história se passa na Academia Masters, um internato localizado em uma ilha na costa da Flórida, conhecido por receber filhos de famílias influentes. Entre os novos alunos estão Andrew e Calvin, irmãos que chegam à instituição carregando o peso de serem filhos do secretário de Estado norte-americano.
Mas a promessa de uma experiência escolar extraordinária dura pouco. Na noite da festa de boas-vindas, Calvin desaparece misteriosamente, deixando apenas um bilhete ensanguentado que alerta Andrew sobre alguém ou alguma coisa cujo nome começa com a letra “L”.
O que torna tudo ainda mais perturbador é a indiferença dos adultos. Enquanto a instituição parece determinada a manter sua rotina, Andrew percebe que precisará encontrar respostas por conta própria.
E, convenhamos, investigar um desaparecimento em uma ilha isolada, cercada por muros e cheia de pessoas suspeitas, não parece exatamente uma atividade extracurricular recomendável.
Uma academia onde ninguém é confiável
Uma das coisas que mais gostei em Ninguém Vai Te Ouvir Gritar foi a maneira como Mark Miller constrói a atmosfera de desconfiança. Um lugar que deveria representar segurança, prestígio e oportunidades, parecem esconder muito mais do que estudantes interessados em concluir o ensino médio.
Conforme Andrew investiga o desaparecimento do irmão, novas informações surgem, personagens despertam suspeitas e situações aparentemente comuns começam a ganhar significados assustadores.
O mais interessante é que nunca sabemos exatamente em quem confiar. A cada descoberta, surgem novas possibilidades, e aquela sensação de estar chegando perto da verdade rapidamente se transforma em outra dúvida.

Representatividade também combina com suspense
Outro aspecto que me conquistou foi encontrar personagens LGBTQIAPN+ ocupando o centro de uma história de mistério, perigo e tensão.
Gosto especialmente quando a representatividade aparece em narrativas nas quais os personagens podem viver diferentes experiências, enfrentar ameaças, se apaixonar, cometer erros e participar de grandes aventuras sem que suas identidades sejam tratadas como a única característica que possuem.
O autor também encontra espaço para desenvolver relações afetivas em meio à investigação. Esses momentos acrescentam novas camadas aos personagens e oferecem pequenas pausas diante de uma trama que parece determinada a não deixar ninguém tranquilo.
Além disso, existe algo muito especial em descobrir uma história tão envolvente escrita por um autor brasileiro. Ninguém Vai Te Ouvir Gritar reforça como nossa literatura também tem espaço para thrillers adolescentes, romances LGBTQIAPN+ e mistérios capazes de conquistar leitores apaixonados pelo gênero.
E agora, como esperar pela continuação?
O livro não depende apenas de acontecimentos assustadores para funcionar. Seu maior trunfo está na curiosidade que desperta e na maneira como nos faz desconfiar das intenções de praticamente todos os personagens. É verdade que algumas situações parecem exageradas, mas elas combinam com a proposta de um thriller adolescente que abraça seus mistérios e reviravoltas sem medo de surpreender.
E quando a história começa a encaminhar suas revelações, fica difícil não querer avançar mais algumas páginas. Gostei bastante dessa leitura, principalmente porque encontrei exatamente aquilo que procurava: suspense, personagens interessantes, representatividade e uma narrativa que não me deixou perder o interesse.
E a melhor parte? Já tenho a continuação na estante! Depois daquele final, seria praticamente impossível não querer descobrir o que Mark Miller preparou em Ninguém Sai Vivo Daqui. Portanto, podem esperar, porque nossa próxima resenha será justamente sobre o segundo livro!
Enquanto isso, se você também gosta de histórias que misturam mistério, tensão e personagens que precisam enfrentar situações assustadoras, minha indicação é As Últimas Sobreviventes, de Jennifer Dugan. Uma ótima oportunidade para conhecer outra história cheia de suspense, que também já ganhou espaço aqui no blog.
Faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

