Volume 6 da série Heartstopper sobre a mesa com vários elementos que remetem ao universo.
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Heartstopper – Para Sempre

Fala, leitores!

Ainda me lembro da primeira vez que li Heartstopper. Era impossível não se apaixonar por aquele universo tão acolhedor e por dois garotos que, entre descobertas, inseguranças e primeiros amores, mostravam que relacionamentos LGBTQIAPN+ também podem ser leves, saudáveis e cheios de esperança. De certa forma, torcer por Nick e Charlie sempre foi como torcer pelo Bruno do passado. Pelo adolescente que sonhava em encontrar um amor seguro, tranquilo e que pudesse existir sem medo.

Acompanhar Nick e Charlie durante todos esses anos foi um privilégio. Seja nos quadrinhos ou na adaptação para a televisão, a sensação sempre foi a mesma: crescer junto com eles. Alice Oseman tem um talento raro para transformar seus personagens em amigos. Em poucos capítulos, já não somos apenas leitores, mas parte daquela turma que ri, chora, comemora conquistas e enfrenta desafios ao lado deles.

Em Heartstopper – Para Sempre, encontramos personagens muito diferentes daqueles que conhecemos no primeiro volume. Charlie já não é mais definido apenas por suas fragilidades. Depois de tudo o que enfrentou, ele finalmente consegue transformar suas dores em força. Agora como líder estudantil da Truham, encontra um novo propósito ao lutar por mudanças que tornem a escola um lugar mais acolhedor para todos.

O amadurecimento de Charlie é, sem dúvida, um dos pontos mais bonitos desta edição. As inseguranças continuam existindo, mas já não comandam sua vida. Em diversos momentos percebemos que ele toma atitudes que o Charlie do início da série jamais conseguiria tomar. E talvez a maior prova dessa evolução seja perceber que, desta vez, quem precisa de apoio não é ele.

Crescer também significa aprender a pedir ajuda

Desde o volume anterior, Nick convive com a ansiedade causada pela proximidade da faculdade e pela possibilidade de viver um relacionamento à distância. Em Heartstopper – Para Sempre, esses sentimentos finalmente vêm à tona. Nosso jogador de rugby tenta equilibrar o papel de namorado, filho, amigo e estudante perfeito, carregando um peso que, aos poucos, começa a ficar grande demais.

É muito bonito ver Alice Oseman inverter a dinâmica do casal. Durante muito tempo, Nick foi o porto seguro de Charlie. Agora é Charlie quem percebe os sinais de que a pessoa que ama também precisa ser acolhida. Essa troca mostra que relacionamentos saudáveis não são feitos por alguém que sempre cuida e outro que sempre precisa de cuidados. O amor acontece justamente quando ambos aprendem a se apoiar.

Em um dos momentos mais emocionantes da história, Alice nos presenteia com uma frase que resume perfeitamente toda a essência da série:

silhouette photo of six persons on top of mountain

“Mas a rede de amor que nos une nunca vai se romper. Nós a construímos. E ela nos construiu.”

Poucas obras conseguem traduzir tão bem a importância das amizades, da família e das pessoas que escolhem caminhar ao nosso lado. É impossível ler esse trecho sem lembrar de tudo o que Nick e Charlie viveram até aqui.

Uma despedida cheia de esperança

Mais do que um romance adolescente, Heartstopper – Para Sempre fala sobre amadurecimento. Sobre perceber que crescer nem sempre significa deixar as pessoas para trás, mas aprender novas formas de permanecer presente. Alice Oseman mostra que nem todo amor adolescente está destinado a acabar e que construir um futuro juntos também pode ser uma história digna de ser contada.

Confesso que foi estranho esperar tanto tempo por um livro que terminei em poucas horas. Ao fechar a última página, ficou aquela sensação agridoce de despedida. É difícil dizer adeus a personagens que nos acompanharam por tantos anos e que, de alguma forma, também fizeram parte da nossa própria trajetória.

Alice Oseman encerra este capítulo com muito carinho, equilibrando romance, humor e emoção na medida certa. E, mesmo sabendo que esta é a despedida de Nick e Charlie, gosto de imaginar que eles continuam por aí, vivendo novos desafios, crescendo juntos e construindo a vida que sempre sonharam.

E a coincidência não poderia ser mais especial: no mesmo dia em que esta resenha vai ao ar hoje, 17 de julho, também estreia na Netflix o filme que encerra a adaptação de Heartstopper. Se despedir dessa história duas vezes, primeiro nos quadrinhos e depois na tela, certamente vai mexer comigo. Estou muito animado para ver como esse último capítulo ganhará vida e, ao mesmo tempo, já preparado para sentir aquele vazio que só uma história inesquecível consegue deixar.

E se você quiser conhecer mais sobre o Universo de Oseman leia também: Rádio Silêncio

Faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

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