Livro ambientado em dois cenários, lado esquerdo banheiro e do lado direito bancada de uma cozinha
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Vestígios

Fala, leitores!

Vestígios foi um presente. Literalmente. Ganhei o livro do meu marido no Dia dos Namorados, mas, depois de terminar a leitura, percebi que ele acabou se tornando um presente de uma maneira que nenhum de nós poderia imaginar naquele momento.

A história acompanha Tate, um arquiteto que tenta reconstruir a própria vida depois da morte da irmã. Ainda convivendo com o vazio deixado pela perda, ele aceita viajar para uma pequena cidade para projetar a casa de veraneio de seu melhor amigo. O que deveria ser apenas uma mudança de ares acaba se transformando em algo completamente diferente quando Wren aparece em seu caminho.

A conexão entre os dois acontece rapidamente. Wren é misteriosa, encantadora e carrega consigo perguntas que Tate não consegue responder usando apenas a lógica. Quanto mais ele se aproxima dela, mais percebe que existem segredos naquela história e que algumas respostas podem desafiar tudo aquilo em que acredita.

É aqui que a parceria entre Nicholas Sparks e M. Night Shyamalan começa a fazer sentido. Temos o romance e a carga emocional que esperamos de Sparks, mas acompanhados por uma camada sobrenatural que deixa a narrativa constantemente envolta por uma sensação de que existe alguma coisa fora do lugar.

Quando uma história encontra você no momento certo

Minha conexão com Tate aconteceu praticamente de imediato. Recebi Vestígios em um período no qual a perda estava muito presente na minha vida. Ao mesmo tempo em que nos despedíamos de uma pessoa muito querida, recebíamos a notícia de que outra pessoa importante enfrentava uma situação que inevitavelmente nos fazia pensar novamente sobre despedidas.

Talvez por isso eu tenha levado quase dois meses para terminar um livro de quase 300 páginas. E não foi porque a leitura era arrastada. Muito pelo contrário. Hoje acredito que eu simplesmente precisava ler essa história daquela maneira. Li algumas páginas, parei. Comecei outros livros, voltei para Tate. Avancei mais um pouco, guardei novamente. E, sem perceber, Vestígios foi encontrando pequenos espaços entre minhas outras leituras e também dentro de mim.

Tate tenta compreender como continuar vivendo quando alguém que fazia parte de sua existência simplesmente não está mais ali. E acompanhar esse processo enquanto eu também tentava organizar alguns sentimentos fez com que a leitura ultrapassasse a história que estava sendo contada.

Entre o amor e o sobrenatural

Apesar de toda a carga emocional, Shyamalan não deixa o leitor confortável por muito tempo. Em determinados momentos, ele adiciona uma camada de tensão muito forte à história e é justamente aí que o terror encontra seu espaço em Vestígios. Não como algo gratuito, feito apenas para assustar, mas como uma parte necessária para compreendermos o que realmente aconteceu com Wren.

Quanto mais Tate se aproxima da verdade, mais essa tensão cresce. Existem momentos em que a leitura muda completamente de ritmo e aquela história de amor sobrenatural ganha contornos muito mais sombrios. É difícil não querer avançar algumas páginas a mais, porque precisamos das mesmas respostas que Tate procura.

E quando começamos a compreender o que existe por trás de Wren, o mistério ganha também um forte sentimento de injustiça. A busca deixa de ser movida apenas pelo amor ou pela curiosidade. Queremos respostas. Queremos entender o que aconteceu. E, principalmente, queremos justiça. É uma sequência que tira o fôlego e mostra o quanto a presença de Shyamalan foi essencial para que essa história funcionasse.

Wren também é fundamental para a reflexão que permanece depois disso. O romance entre ela e Tate nasce rapidamente, talvez rápido demais para alguns leitores, mas existe algo bonito na maneira como os dois se encontram justamente quando precisam daquele encontro. Aos poucos, a pergunta deixa de ser apenas quem é Wren ou quais segredos ela esconde.

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A verdadeira questão passa a ser: até onde estamos dispostos a ir pelas pessoas que amamos?

Nicholas Sparks e Shyamalan constroem uma história sobre aceitar aquilo que não podemos controlar. Sobre entender que seguir em frente não significa esquecer quem partiu e, principalmente, sobre permitir que a vida continue nos oferecendo coisas bonitas mesmo depois de nos mostrar seu lado mais cruel.

Quando finalmente terminei Vestígios, entendi por que essa leitura precisava durar dois meses.

Eu precisava chegar à última página no meu próprio tempo. E talvez essa tenha sido a maior mensagem que levei comigo: a vida pode ser extremamente dura, mas ainda precisa ser vivida. Nem sempre podemos escolher aquilo que ela tira de nós, mas podemos escolher acolher aquilo que ela ainda coloca em nosso caminho.

No fim, Vestígios acabou sendo muito mais do que o presente de Dia dos Namorados que ganhei do meu marido. Foi uma leitura que chegou em um momento delicado e, de alguma maneira, trouxe conforto quando eu nem sabia que estava procurando por ele.

Existem livros que encontramos. E existem aqueles que parecem encontrar a gente exatamente quando precisamos. E se você gostou dessa resenha leia Todo esse tempo.

Faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

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