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Black Buck – A Cor do Sucesso

Fala, leitores!

Quantas vezes um livro já olhou para você e disse: “confia em mim”? Pois Black Buck – A Cor do Sucesso faz praticamente isso logo nas primeiras páginas. O autor promete ensinar o leitor a vender, pede que você abaixe a guarda e garante que não vai decepcionar. Depois de terminar a leitura, posso dizer: ainda bem que aceitei o acordo.

Darren é um jovem negro brilhante que poderia seguir diversos caminhos profissionais, mas está satisfeito trabalhando como atendente em uma Starbucks de Manhattan. Até que Rhett Daniels, CEO de uma poderosa startup, percebe sua habilidade para vendas e lhe oferece uma oportunidade aparentemente irrecusável.

Ao entrar naquele escritório, porém, Darren deixa de ser apenas Darren. Ele se torna Buck.

O apelido é apenas uma das primeiras violências que enfrenta ao ser o único funcionário negro daquele ambiente. Entre treinamentos abusivos, comentários racistas disfarçados de brincadeira e microagressões, ele percebe rapidamente que conquistar seu espaço significará jogar um jogo cujas regras não foram criadas para pessoas como ele.

Quanto custa o sucesso?

Uma das coisas que mais me surpreendeu em Black Buck – A Cor do Sucesso foi a maneira como Mateo Askaripour consegue tornar a leitura divertida, absurda e desconfortável quase simultaneamente.

Existem situações tão exageradas que provocam riso, até percebermos o que está por trás delas. É por meio desse humor ácido que o autor expõe o racismo, as desigualdades do ambiente corporativo e aquela velha ideia de meritocracia que insiste em fingir que todos começam a corrida do mesmo lugar.

E Darren está longe de ser um protagonista construído para acertar o tempo inteiro. Conforme cresce profissionalmente, ele se transforma. O dinheiro chega, o reconhecimento também, mas algumas coisas importantes começam a ficar para trás.

Gostei muito dessa escolha. Askaripour permite que seu protagonista erre, decepcione pessoas, tome decisões questionáveis e enfrente as consequências. Em alguns momentos eu queria torcer por Darren e, poucas páginas depois, queria desesperadamente que alguém o fizesse enxergar no que estava se transformando.

Quando vender deixa de ser sobre produtos

Talvez a maior sacada do livro esteja justamente nas vendas. Ao longo da história, o autor conversa diretamente conosco e compartilha técnicas que aprendeu durante sua trajetória. Só que, aos poucos, percebemos que ele nunca esteve falando apenas sobre vender produtos.

Vender também significa defender uma ideia, reconhecer o próprio valor, convencer alguém a lhe dar uma oportunidade e saber o que fazer quando essa oportunidade finalmente chega. E tudo isso ganha outro significado conforme Darren começa a enxergar o sucesso para além de si mesmo. Em determinado momento, uma frase resume lindamente essa transformação:

“O que mais importa não é o que conseguimos alcançar, mas quem conseguimos ajudar.”

É aqui que Black Buck – A Cor do Sucesso encontra uma de suas discussões mais poderosas. Darren passou boa parte da história tentando descobrir até onde poderia chegar. Agora, precisa decidir o que fará com tudo aquilo que conquistou.

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Agora é minha parte no acordo

Gostei MUITO desse livro. E talvez o que mais tenha me surpreendido seja como Mateo Askaripour consegue divertir, incomodar e provocar reflexão dentro da mesma história.

Como alguém que não compartilha da experiência racial de Darren, termino essa leitura muito mais interessado em escutar o que o livro tem a dizer do que em tentar explicar uma realidade que não é minha.

E então chegamos às últimas páginas.

O autor faz um último acordo com quem esteve acompanhando sua história: se o livro ensinou alguma coisa, compartilhe-o com alguém que possa precisar dele. Pois bem, Mateo. Trato feito. Esta resenha é minha maneira de cumprir minha parte.

Leia Black Buck – A Cor do Sucesso. Questione, ria quando for possível, fique desconfortável quando for necessário e, principalmente, escute o que Mateo Askaripour decidiu colocar nessas páginas. Depois, passe a história adiante.

Leia também Mesmo Rio, se você gostou desta resenha.

Faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

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