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Blackwater: O Dique

Fala, leitores!

Se A Enchente abriu as portas de Perdido e nos apresentou aos Caskey, Blackwater: O Dique parece finalmente nos convidar para sentar à mesa dessa família. E agora que conhecemos cada olhar atravessado, disputa silenciosa e personalidade difícil, tudo fica ainda mais interessante. Ou melhor: mais perigoso.

O segundo volume começa exatamente onde o primeiro terminou. Perdido ainda convive com as consequências da grande enchente e uma solução surge para impedir que outra tragédia aconteça: construir um dique capaz de conter as águas dos rios que cercam a cidade. Parece uma ótima ideia. Menos para Elinor.

Agora casada com Oscar e definitivamente inserida na família Caskey, ela se posiciona contra a construção. Do outro lado está Mary-Love, que não perdeu nem um pouco de sua necessidade de controlar os filhos e, principalmente, de enfrentar a mulher que entrou em sua família e parece cada vez menos disposta a seguir suas regras. E se você achava que a relação entre sogra e nora já estava complicada… espere.

Agora conhecemos os Caskey

Gostei ainda mais de Blackwater: O Dique do que do primeiro volume e acredito que parte disso vem justamente da familiaridade. Eu já conhecia aqueles personagens. Sabia quem provavelmente tentaria manipular determinada situação, quem permaneceria em silêncio e quais relações poderiam explodir a qualquer momento. Isso permite que Michael McDowell aprofunde os conflitos sem precisar novamente nos apresentar aquele universo.

Sister, por exemplo, ganha mais espaço e começa a demonstrar uma personalidade que talvez estivesse apenas esperando uma oportunidade para aparecer. Enquanto isso, a disputa entre Mary-Love e Elinor continua sendo um espetáculo à parte. Só que Elinor também mudou aos meus olhos, ou talvez, nós finalmente estejamos começando a enxergá-la.

Tem alguma coisa muito errada em Perdido

Se no primeiro livro existia um mistério constante em torno de Elinor, aqui ela ganha uma camada simplesmente surreal. A relação da personagem com Perdido, com a água e com aquilo que não conseguimos explicar torna a história consideravelmente mais sombria.

E Michael McDowell faz algo que funcionou MUITO comigo: ele não transforma O Dique em uma sequência interminável de acontecimentos assustadores. Na maior parte do tempo estamos acompanhando relações familiares, casamentos, dinheiro, disputas, fofocas e mudanças acontecendo ao longo dos anos. Você relaxa. Quase esquece o tipo de história que está lendo.

Então alguma coisa acontece. E, meu Deus.

São momentos pontuais, mas justamente por isso possuem uma força absurda. O horror invade aquela rotina sem pedir licença e desaparece quase tão rapidamente quanto surgiu. Quando percebemos, estamos novamente acompanhando os Caskey tomando decisões cotidianas enquanto tentamos processar o que diabos acabamos de ler.

É uma escolha narrativa brilhante porque cria uma sensação constante de imprevisibilidade. Depois do primeiro choque, comecei a avançar pelas páginas pensando: o que vem agora?

Peaceful forest stream in São Pedro do Sul, Viseu, Portugal, surrounded by lush greenery and mossy rocks.
Imagem de um rio

O rio ainda guarda muitos segredos

Também gosto cada vez mais da maneira como McDowell utiliza a água. A construção do dique representa uma tentativa humana de controlar aquilo que destruiu Perdido anteriormente. Mas existe algo fascinante em observar a reação de Elinor diante dessa ideia, principalmente depois de tudo que começamos a compreender sobre ela.

O sobrenatural continua sem receber todas as explicações que queremos. Pelo contrário, Blackwater: O Dique responde algumas perguntas enquanto parece criar outras dez. E então chegamos ao final. Sem spoilers: é um baque.

Daqueles acontecimentos que fazem você terminar a última página, olhar para o livro e perceber que simplesmente não existe a possibilidade de abandonar essa série agora. Se o primeiro volume despertou minha curiosidade, o segundo conseguiu algo muito pior: me deixou completamente preso a Perdido e preciso saber o que o terceiro livro vai trazer.

E se você chegou até esta resenha sem conhecer o começo dessa história, minha indicação não poderia ser outra: leia nossa resenha de Blackwater: A Enchente, primeiro volume da série. É lá que conhecemos Perdido, os Caskey e aquela misteriosa mulher que apareceu depois que as águas subiram.

Depois volte para Blackwater: O Dique. Só não diga que eu não avisei: as águas de Perdido escondem muito mais do que imaginávamos.

Faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

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