Ficção brasileira Relações Familiares Romance Brasileiro Sensível

Mesmo rio

Fala leitores!

Hoje trouxe uma leitura que me deu diversos gatilhos emocionais, uns bons, outros nem tantos, mas que me fez refletir muito. “Mesmo Rio” é de uma autora-psicanalista e apresentadora de TV, Elisama Santos.

Nesta obra, Elisama Santos parte da seguinte ideia: Do mesmo modo que “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, é impossível ser a mesma mãe para todos os filhos.”

Forte, não é mesmo? Uma questão assim deixa marcas em todo mundo, — em especial — para aqueles que tem irmãos. Este exemplar nada mais é que um convite para explorarmos profundamente o convívio familiar. O que te faz de fato se sentir pertencente aquele lugar?

E é através de personagens profundos e uma narrativa envolvente, que a autora nos apresenta a situações reais e extremamente profundas da Família Soares: a mãe, Maria Lúcia; o pai, Benedito; e os três filhos: Lucas, Marília e Rita.

Maria Lúcia é uma mulher forte, mas que teve que renunciar a diversos sonhos para poder criar seus filhos, um com mais amor, outro com mais atenção e outra com muita impaciência. Sentimentos diferentes que leva a cada filho a ter uma perspectiva diferente da mãe, perspectiva que carreta os irmãos a ter uma relação complicada uns com os outros.

A consequência desse amor “incondicional” de Maria Lucia é revelada com a aspecto de cada filho e a cada parágrafo imaginamos cada integrante desta história como um copo que vai se enchendo pouco a pouco, até que transborda e foge do controle.

Foto por Derick Makwasi em Pexels.com

Rita é a filha caçula, que busca na mãe o carinho e atenção que é ofertado genuinamente aos irmãos mais velhos. Na busca por esse carinho que a cada dia da sua vida parece tão distante, a jovem vai se afastando da família, até que um dia, no auge da sua juventude parte para nunca mais voltar.

Deixar o lar em que cresceu e que acreditava um dia fazer parte realmente, passou a ser um local de memórias tristes e fria. O distanciamento foi aos poucos, assim como uma infiltração, que vai tomando conta do espaço lentamente sobre as paredes sólidas, criando mofo, fungos e erupções sobre a tinta que cobre aquela “fortaleza”.

Para os irmãos, uma atitude precipitada e sem fundamentos de Rita, afinal, mãe é mãe. Para a caçula, um ponto final no amor que parecia migalhas. E foi no Natal em família que tudo aconteceu. A época do ano que deveria ser de união entre os seus, acabou sendo o fundo do poço para Rita, que naquele exato momento carregava em seu ventre, seu primeiro filho. O neto que Dona Maria Lucia e Seu Benedito jamais viriam a conhecer…

A dor e o ressentimento pairava sobre a mesa perfeita da família Soares: Nem mesmo a louça cintilante poderia ofuscar a ansiedade que crescia e rasgava o peito de Rita. De fato, haveria espaço para ela naquele lugar? Por que os irmãos nunca a protegia daquela situação? O que eles tinham que ela não poderia ter? Existe espaço para o perdão?

“Mesmo rio” é um romance para ler com um lencinho e muito chá de camomila. Uma pauta profunda que te faz questionar sobre relacionamento familiar e refletir sobre os sentimentos de cada integrante dessa família. Será eles vilões incompreendidos da sua própria história?

Adquira seu exemplar e depois me responda: Esse livro é para recordar?

Você também pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *