Trouxe para vocês hoje “Objetos cortantes”, de Gillian Flynn, a mesma autora de “Garota exemplar”. É a segunda obra de Flynn que leio e só comprovou algo que eu já sabia: ela tem uma mente brilhante – e assustadora também.
No livro acompanhamos a vida de Camille Preaker, uma repórter que vive em Chicago, mas que tem que voltar a cidade natal, Wind Gap, para uma matéria. Em menos de um ano, uma garotinha foi encontrada morta, e outra está desaparecida. A mulher não está nada animada com a viagem, visto que sua relação com a mãe não é boa e desde que saiu de casa, voltou poucas vezes para lá.
Ao chegar em seu destino, logo começa a procurar informações sobre os dois crimes que tem sido assunto na pequena cidade do Missouri. A primeira menina era Ann Nash, que foi encontrada no lago, estrangulada e com todos os dentes arrancados. A segunda é Natalie Keene que, após a chegada de Camille, também é encontrada em situações semelhantes a Ann – estrangulada e sem os dentes.
A polícia não parece querer ajudar a repórter com nenhuma informação, o que pode ser explicado pelo fato de que eles mesmos quase não possuem nenhuma. Mas Camille parece ter encontrado um aliado: Richard, um policial que não tem interesse apenas em ajudá-la.
Preaker tem uma relação conturbada com a mãe, Adora, e ao se ver de volta a casa em que cresceu com ela, o padrasto, Alan, e a irmã Amma, a protagonista se depara com antigos fantasmas.
Adora é uma das mulheres mais ricas da cidade e está acostumada a ter tudo sob controle. É assim que criou suas três filhas – Camille, Marian e Amma. Marian morreu ainda criança, antes da última nascer, e Camille nunca cedeu aos caprichos da mãe, por isso sempre se sentiu preterida em relação as irmãs. Agora, de volta a antiga casa, tem que conviver novamente com o controle exercido por Adora, principalmente na caçula de 13 anos, que aparentemente esconde um lado de sua personalidade da família – longe da casa, a garota é a líder de um grupo de meninas que faz de tudo para chamar a atenção dos garotos, e infernizar a vida das garotas.

Camille luta contra uma série de vícios. Desde muito nova começou a se cortar, escrevendo no corpo diversas palavras que, mesmo após tanto tempo, ainda estão gravadas não só na pele, mas na mente da mulher. Depois de um longo período de reabilitação no qual ela aprendeu a se controlar, vai ser posta à prova quando retorna a casa na qual tudo começou.
Apesar da polícia alegar que a pessoa por trás dos crimes é alguém de fora da cidade, as provas apontam para alguém de dentro. O que torna todos a volta de Camille suspeitos.
Ao mesmo tempo em que deve descobrir mais sobre a violência sofrida por essas meninas, Preaker de tem de lidar com a violência mental que sofre em casa. A família, as vezes, pode ser nosso pior inimigo, e é por isso que o principal suspeito dos crimes é John Keene, irmão mais velho de Natalie.
Com uma história que aborda automutilação, assassinato, problemas familiares, solidão e tantos outros assuntos importantes, Gillian mexe com a nossa mente e nos deixa com o estômago revirado com alguns diálogos. Com um plot twist digno de um bom suspense, ela só prova o que todos que a conhecem já sabem: Flynn é um grande nome nesse gênero.
Eu li sem colocar muitas expectativas na história, jurando ter matado a charada logo no começo da leitura, mas como sempre a autora me surpreendeu e com certeza esse livro eu recordarei.
A história, apesar de ter sido escrita em 2006, ganhou adaptação recentemente na HBO Max, que eu ainda não assisti, mas já está na lista!
Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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