Fala leitores!
Chegamos ao final do nosso mês temático de Halloween e para a última resenha, eu trouxe “A mulher de preto” de Susan Hill. Não sou o Will de Stranger Things mas, minha nuca arrepiou inúmeras vezes com essa leitura.
As cenas descritas por Susan são de uma magnitude inexplicável que faz você parar, respirar, olhar em volta para ter certeza de que não tem ninguém ali, são necessários alguns minutos de respiro até criar coragem para voltar a ler. A autora traz uma atmosfera tão densa que você começa a duvidar sobre o que está ali, no canto escuro.
O livro deu origem ao filme de 2012 estrelado por Daniel Radcliffe (ator que deu a vida a Harry Potter), como o protagonista, Arthur Kipps.
A histórica começa com anos à frente, Arthur já é um senhor de idade que está passando o Natal com sua — atual — família e como tradição desta época, os enteados se reúnem em volta da lareira e começam a contar histórias de terror.
O clima não é dos melhores para o advogado, que luta contra as imagens perturbadoras do seu passado e tenta a todo custo fugir dessa tradição que lhe traz tantas angústias e aflições.

Decidido a superar essa fase da sua vida, Arthur decide escrever um livro contando sua experiência no vilarejo e como conheceu a mulher de preto. Assim, botando fim nesse episódio perturbador da sua vida.
A trajetória de Kipps caminha entre o terror e os enigmas que ronda a Casa do Brejo da Enguia. Seu atual endereço após ser escolhido para cuidar do funeral da Sra. Drablow. A única moradora daquela casa. Uma senhora descrita como orgulhosa e completamente solitária.
A casa foi construída há muitos anos em volta de um pântano carregado de anergia que vai além da imaginação chamado Passagem das Noves Vidas. O terreno é evitado por todos os moradores. Falar ou até mesmo pensar sobre aquele lugar é considerado um TABU.
“Houve um terrível momento em que as águas começaram a se fechar ao redor dele e a borbulhar, e então, por cima de tudo, por cima dos gemidos e da luta do pônei, o grito de criança, que crescia até virar um berro de terror, lentamente sufocado e afogado; e finalmente, o silêncio.”
Isolado pela maré e pelas neblinas, dessas que se misturam a espuma cinzenta do mar, envolve aquele lugar repleto de segredos mais obscuros. Coisas que nem deveriam ser pensadas à luz do dia, muito menos sobre o cair da noite.
No enterro da Sra. Alice Drablow, Kipps nota a presença de uma mulher misteriosa, vestida completamente de preto e sobre o véu que esconde seu rosto, esconde um olhar capaz de fazer você congelar. O jovem advogado tenta descobrir mais sobre aquela mulher, mas é em vão…
“Seu rosto, em sua palidez extrema, os olhos, afundados, porém brilhantes de uma forma não natural, queimavam com a intensidade da emoção passional que havia dentro dela e que emanava.”
Arthur rejeita aqueles sentimentos estranhos que todos transmitem. Para um jovem advogado que só trabalha com os fatos, acreditar em lendas e superstições está fora de cogitação e se conserva firme no propósito de passar algumas noites na casa e organizar a papelada da cliente mais importante da sua carreira.
No entanto, o que Arthur não espera é que passar a noite numa casa envolta em névoa e a quilômetros de qualquer outra pessoa, pode ter um efeito súbito num homem solitário, cujo a noiva está a quilômetros de distância.
Até mesmo para aqueles que são céticos, quando você se depara com algo que vai além da compreensão humana, você começa a duvidar sobre o que é, ou não é, realidade. A mulher de preto está em todos os cantos, esperando, roubando todo ar que possa ter naquele lugar.

Em busca de uma solução lógica, Kipps está frente a frente com o mau e acaba descobrindo da pior forma que existem certas coisas com as quais é melhor não interferir.
Eu simplesmente adorei a leitura, já era fã do filme e acho que o livro só agregou nos meus sentimentos. Lendo alguns comentários sobre o livro, as pessoas diziam sentir falta de “sustos” assim como no filme.
Mas vamos combinar que filme é algo visual, e se não tem aquele “baque” não tem como se assustar, não é mesmo? Pra mim o pior “susto” é aquele que faz sua espinha congelar só com o poder das palavras.
Bom, se você curtiu essa resenha, vou deixar o link para a compra do livro e aquela perguntinha de sempre. Esse é um livro para recordar?

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