Sexta feira boa começa com resenha e a escolha de hoje é “Uma mulher na escuridão”, de Charles Donlea. O autor, que ficou conhecido principalmente pelo livro “A garota do lago”, tem conquistado leitores ao redor do mundo com suas histórias de suspense que te prendem do início ao fim.
A trama da qual vamos tratar hoje é dividida entre presente e passado, tendo como foco duas mulheres: Rory Moore (2019) e Angela Mitchell (1979).
Angela é uma mulher que tem autismo e sofre com as consequências de sua condição, visto que o diagnóstico não existia ainda e todos a achavam esquisita. Seus pais, por não saberem como lidar com a filha, internaram a garota aos 17 anos em uma clínica psiquiatria. Assim que completou 18 anos, saiu e nunca mais voltou. Após anos de solidão, está casada e tem, pela primeira vez, uma amiga, Catherine, mulher do sócio de Thomas, marido de Angela.
A mulher também sofre com TOC (transtorno compulsivo obsessivo) e, depois de tanto tempo conseguindo se controlar, os sintomas voltam quando uma série de mulheres começam a desaparecer em Chicago, cidade na qual mora.
Ao todo, cinco mulheres desapareceram e o homem responsável pelo sumiço delas foi apelidado de Ladrão. Sem saber qual a verdadeira identidade do homem por trás dos crimes, Angela começa a juntar tudo o que encontra sobre o suposto assassino e suas vítimas, afim de descobrir o que aconteceu a todas elas e quem é o Ladrão.
Após muita investigação, Angela está certa que descobriu quem está por trás do apelido de Ladrão. Sem esconder sua identidade, a mulher compartilha suas descobertas com a polícia. Porém, sem corpos para acusa-lo de assassinato, o homem acaba sendo preso pelo assassinato de Angela Mitchell, o único crime possível de acusa-lo.

Anos depois, Rory Moore, investigadora forense, está limpando o escritório de seu pai que faleceu e descobre que era o advogado de defesa do tal Ladrão. Sem saber muito bem da história, a investigadora começa a pesquisar tudo sobre os assassinatos de 1979 e se vê obrigada a assumir o caso no lugar do pai e atender o principal pedido de seu cliente: provar que Angela ainda está viva.
Conhecida por seus talentos em reconstituição de crimes, mergulha de cabeça na história do Ladrão e começa a refazer os passos de Angela, quase 40 anos depois. Quanto mais conhece a história dessa mulher que desapareceu nos anos 80, mais se identifica com ela, e mais difícil fica de acreditar que o assassino não tem ligação com seu desaparecimento.
Enquanto investiga toda essa história, Rory também percebe que seu pai escondia algum segredo que o ligava ao famoso assassino de 1979.
Quem é o Ladrão? O pai de Rory acreditava mesmo na inocência do homem, ou tinha outro tipo de interesse pessoal por trás de toda a história? Angela está mesmo viva? Se sim, por onde ela andou durante esses quase 40 anos? Onde estão os corpos das outras cinco vítimas do Ladrão?
Apesar de a minha primeira pergunta ter sido a identidade do assassino, ela não é o ponto de virada da história. Descobrimos quem é o Ladrão bem antes do final. Mas, se você acha que isso atrapalha no andamento do enredo, está muito enganado. Para mim, esse foi o maior trunfo do autor. Após essa descoberta, Donlea nos presenteia com uma série de reviravoltas e nos prende com uma história muito bem amarrada e impossível de largar.
Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?
