Fala leitores!
Hoje trouxe uma leitura que me deu diversos gatilhos emocionais, uns bons, outros nem tantos, mas que me fez refletir muito. “Mesmo Rio” é de uma autora-psicanalista e apresentadora de TV, Elisama Santos.
Nesta obra, Elisama Santos parte da seguinte ideia: Do mesmo modo que “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, é impossível ser a mesma mãe para todos os filhos.”
Forte, não é mesmo? Uma questão assim deixa marcas em todo mundo, — em especial — para aqueles que tem irmãos. Este exemplar nada mais é que um convite para explorarmos profundamente o convívio familiar. O que te faz de fato se sentir pertencente aquele lugar?
E é através de personagens profundos e uma narrativa envolvente, que a autora nos apresenta a situações reais e extremamente profundas da Família Soares: a mãe, Maria Lúcia; o pai, Benedito; e os três filhos: Lucas, Marília e Rita.
Maria Lúcia é uma mulher forte, mas que teve que renunciar a diversos sonhos para poder criar seus filhos, um com mais amor, outro com mais atenção e outra com muita impaciência. Sentimentos diferentes que leva a cada filho a ter uma perspectiva diferente da mãe, perspectiva que carreta os irmãos a ter uma relação complicada uns com os outros.
A consequência desse amor “incondicional” de Maria Lucia é revelada com a aspecto de cada filho e a cada parágrafo imaginamos cada integrante desta história como um copo que vai se enchendo pouco a pouco, até que transborda e foge do controle.

Rita é a filha caçula, que busca na mãe o carinho e atenção que é ofertado genuinamente aos irmãos mais velhos. Na busca por esse carinho que a cada dia da sua vida parece tão distante, a jovem vai se afastando da família, até que um dia, no auge da sua juventude parte para nunca mais voltar.
Deixar o lar em que cresceu e que acreditava um dia fazer parte realmente, passou a ser um local de memórias tristes e fria. O distanciamento foi aos poucos, assim como uma infiltração, que vai tomando conta do espaço lentamente sobre as paredes sólidas, criando mofo, fungos e erupções sobre a tinta que cobre aquela “fortaleza”.
Para os irmãos, uma atitude precipitada e sem fundamentos de Rita, afinal, mãe é mãe. Para a caçula, um ponto final no amor que parecia migalhas. E foi no Natal em família que tudo aconteceu. A época do ano que deveria ser de união entre os seus, acabou sendo o fundo do poço para Rita, que naquele exato momento carregava em seu ventre, seu primeiro filho. O neto que Dona Maria Lucia e Seu Benedito jamais viriam a conhecer…
A dor e o ressentimento pairava sobre a mesa perfeita da família Soares: Nem mesmo a louça cintilante poderia ofuscar a ansiedade que crescia e rasgava o peito de Rita. De fato, haveria espaço para ela naquele lugar? Por que os irmãos nunca a protegia daquela situação? O que eles tinham que ela não poderia ter? Existe espaço para o perdão?
“Mesmo rio” é um romance para ler com um lencinho e muito chá de camomila. Uma pauta profunda que te faz questionar sobre relacionamento familiar e refletir sobre os sentimentos de cada integrante dessa família. Será eles vilões incompreendidos da sua própria história?
Adquira seu exemplar e depois me responda: Esse livro é para recordar?

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