Há tempos vejo burburinhos sobre Emily Henry e, depois de ler “Loucos por livros” entendi o motivo da autora ter se tornado tão popular, inclusive entre leitores que não são muito fãs de romances.
Nora Stephens é uma agente literária de sucesso em Nova York, a cidade que para qual se mudou quando era criança, mas que jamais se imagina saindo.
A mais velha das Stephens ama a big apple e tudo o que tem nela. Os restaurantes, as lojas, as pessoas, o caos, o barulho, seu trabalho. Além de ser tudo o que resta da mãe que faleceu há dez anos, tornando-a desde então a responsável por sua irmã caçula, Libby.
Mesmo depois da mais nova já estar casada, com duas filhas e um terceiro bebê a caminho, Nora ainda sente que precisa cuidar da irmã. Por isso está sempre disposta a ter mais sucesso, não só pelo amor ao trabalho e ambição profissional, mas também para que elas nunca passem a necessidade que passaram após a morte da mãe.
Charlie Lastra é um editor literário de renome e, assim como Nora, é conhecido por seu jeito responsável, organizado e sério.
Se é verdade que os opostos se atraem, então o motivo pelo qual Charlie e Nora se dão mal logo no primeiro momento pode ser exatamente esse.
A agente está tentando fechar um contrato com algum editor para uma de suas autoras mais antigas, então é para um almoço muito importante que nossa protagonista está indo quando o namorado liga querendo conversar.
Não é surpresa alguma quando o então namorado diz a Nora que, após passar semanas em uma cidadezinha pequena à trabalho, decidiu ficar por lá de vez.
Não é surpresa porque Nora já leu, e viveu na pele esse clichê, mais de uma vez. Jovem ambicioso vai passar uns dias em uma cidade do interior à trabalho, lá conhece uma moça calma, extremamente gentil e que vê a beleza da vida nas pequenas coisas. Sempre o oposto do rapaz e, principalmente, de sua namorada loira e fria. É aí que o mocinho decide largar tudo (casa, emprego, a cidade grande, a namorada loira e fria – Nora) e viver seu grande amor.
Então, Nora não fica chocada quando o namorado, que já dava indícios de que não durariam muito, termina tudo com ela. O que a deixa irritada é o fato dele estar fazendo isso por telefone, bem na hora de uma importante reunião, o que acaba a atrasando. E Nora nunca se atrasa.
Torcendo para que Charlie não ligue para o atraso, entra no restaurante. É claro que ele não só liga, como faz questão de pontuar isso na primeira frase que troca com ela. Daí pra frente é só pra trás e o que era para ser um almoço de negócios, torna-se uma grande troca de farpas com Charlie deixando claro que não tem interesse no livro de sua cliente, mas está disposto a ver futuros projetos da autora.

Dois anos se passam sem que seus caminhos se cruzem, mas Nora sente um imenso prazer sempre que vê os frutos que sua cliente está colhendo pelo sucesso do livro que Charlie recusou.
Libby está indo para o terceiro trimestre de gestação do terceiro bebê quando sugere que as duas façam uma viagem juntas. Nora nunca tira férias, mas também nunca nega nada a irmã. A mais velha estava sentindo que a conexão que sempre tiveram vinha se perdendo nos últimos tempos, então, mesmo achando uma péssima ideia passar um mês fora, decide aceitar. Tem mais certeza ainda que a ideia não é nada boa quando descobre o destino da viagem: Sunshine Falls, a cidade na qual se passa o livro de sucesso de sua cliente e da qual Charlie Lastra tanto criticou.
Assim que pisa na cidade, Nora tem certeza de que jamais seria como as mocinhas dos livros que tanto lê. Jamais trocaria sua amada Nova York por uma cidade como aquela, em que as pessoas realmente usam camisas de flanela! Mesmo assim, está disposta a passar o mês inteiro lá com a irmã e realizar todos os itens da lista de Libby – incluindo usar as malditas camisas!
Logo na primeira manhã na cidadezinha, Nora sai para passear sozinha e descobre que alguns clichês realmente existem. Como o fato de esbarrar com um lindo deus grego, com cara de carpinteiro, daqueles que consertariam todos os seus problemas (que muito provavelmente ele causaria). Ao observar o lugar em volta, percebe que realmente a cidade tem seus atrativos, com grandes músculos, lábios fartos e grossas sobrancelhas. Ela se surpreende quando a imagem de Charlie vem a sua mente enquanto olha um rapaz em uma fila de café, até que se dá conta de que, por mais maluco que possa parecer, é Charlie Lastra!
Até tenta se esconder de suas nêmesis profissional, mas, em uma cidade como aquela, é lógico que eles acabam se esbarrando novamente. É lógico que depois desse encontro Libby entende tudo errado e deixa Nora sozinha, achando que assim ela conseguirá riscar o número cinco da lista, que é sair com algum local. E é claro que, após alguns drinques, as farpas trocadas entre editor e agente tornam-se flertes. Que acabam os levando a uma caminhada embaixo da chuva até a porta do chalé onde Nora está. Que os leva ao momento em que Nora está com o corpo de Charlie a imprensando na porta, enquanto suas mãos, línguas e bocas passam por todos os cantos.
Até que eles, racionais como são, percebem que isso é loucura, e se separam. Prometendo que jamais acontecerá de novo.
Alerta spoiler: vai acontecer!
E é justamente por isso que “Loucos por livros” se tornou um livro tão incrível na minha opinião. A autora não cria um suspense desnecessário em torno dos protagonistas. Normalmente o que você acha que vai acontecer a seguir, realmente acontece e isso em nada muda o fato de você querer continuar virando as páginas pra conhecer mais dessa história.
Por que Charlie está na cidade? Quais são as reais intenções de Libby com essa viagem e essa lista? Nora vai pagar a língua e sofrer a transformação da cidade do interior que sempre criticou? Ou seu lugar é realmente em Nova York? É possível pertencermos a dois lugares ao mesmo tempo? E a duas pessoas?
Quando vi que o livro era um romance de mais de 400 páginas confesso que desanimei. Todo mundo sabe que histórias longas assim envolvem mentiras, traições, desentendimentos e muita enrolação na qual o casal protagonista superaria tudo se fossem honestos um com o outro logo de cara. E é por isso que Charlie e Nora são tão fascinantes. São honestos, verdadeiros. Assim como suas atitudes. É muito fácil se identificar com eles, sem nenhum drama desnecessário, somente pelos questionamentos simples da vida.
Eu com certeza fiquei louca por esse livro, agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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