Procure nas cinzas

 Charlie Donlea sabe direitinho como te prender em uma trama eletrizante. Mesmo com os começos confusos (pelo menos pra mim), consegue conduzir a história de uma forma que fica impossível largar seus livros. Não é diferente com “Procure nas cinzas”.

Como toda obra do autor, o início é meio caótico, com muitas histórias sendo contadas ao mesmo tempo. Confesso que eu demoro um pouco pra aprender o nome de todos os personagens e lembrar qual é o enredo de cada um. Mas, depois disso, a história simplesmente me vicia e eu devoro o livro em poucos dias.

No ano de 2001 Victoria Ford é a principal suspeita no caso de assassinato do famoso escritor Cameron Young. Depois da polícia descobrir do caso entre os dois, de acharem um vídeo de sexo sadomasoquista entre eles, e de identificar o sangue e a urina da mulher, além de suas impressões digitais, na cena do crime, não há muito o que Victoria possa fazer para ser inocentada.

Apesar de tudo apontar para ela, a mulher jura ser inocente. Ela confessa seu caso com o escritor, mas nega seu envolvimento na morte do homem e está disposta a tudo, inclusive gastar um dinheiro que não tem com o melhor advogado da cidade, para provar sua inocência.

Como tudo sempre pode piorar, em uma reunião com seu advogado, na manhã do dia 11 de setembro de 2001, Victoria Ford acaba sendo uma das milhares de vítimas do atentado às Torre Gêmeas.

Vinte anos depois a perícia forense ainda tenta identificar a identidade das pessoas nos escombros e, após anos sem nenhum sucesso, eles enfim têm um resultado compatível e conseguem a identificação de uma das vítimas: Victoria Ford.

Ao saber dessa notícia, a apresentadora Avery Mason sabe que a notícia tem potencial para seu programa. Depois de assumir o jornal de maior audiência do país após a morte de seu antigo apresentador, Mack Carter – sim  um personagem já conhecido em “Nunca saia sozinho” – a jornalista se tornou uma celebridade. Mesmo com pouco tempo no ar, seu jeito ousado em cobrir histórias de crimes reais e matérias em que se coloca em risco, a âncora do programa vem conquistando cada vez mais espaço na mídia.

Foto por Nathan J Hilton em Pexels.com

Ao mesmo tempo em que luta para se manter no programa, Avery também tem seus próprios fantasmas para lidar e, ao contrário da vida exposta que tem como apresentadora, sua vida pessoal é cheia de segredos e mistérios, principalmente seu passado, que a jornalista faz de tudo para esconder.

Assim, a matéria sobre a identificação de uma das vítimas do 11 de setembro é a desculpa perfeita para Avery ir para Nova York enfrentar seus fantasmas e enterra-los de vez.

Mas, ao chegar à cidade e conversar com a irmã da vítima, Emma, Avery descobre tudo sobre o assassinato ao qual Victoria estava sendo investigada. Aí é que ela sabe que está com as mãos em boa matéria. Imaginando a audiência que alcançaria se provasse a inocência de uma mulher, 20 anos depois. É assim que seu caminho cruza com o de Walt Jenkins, o detetive que conduziu a investigação da morte de Cameron Young no passado.

Walt é um agente aposentado que vive na Jamaica. Após sofrer sérios ferimentos em uma emboscada, Jenkins teve sua carreira encerrada antes da hora e hoje vive na Jamaica, longe de seu passado como agente. Então é uma surpresa quando seu antigo chefe aparece em sua nova casa com uma proposta: voltar à ativa para tentar encontrar um dos maiores fugitivos do país, o Ladrão de Manhattan.

Segundo o chefe, Walt é a pessoa ideal pois o FBI acredita que a filha do criminoso sabe onde ele se encontra. Ao ser questionado do motivo pelo qual ele é a escolha certa, o antigo chefe conta que Avery Mason está atrás de Walt pelo caso do assassinato do escritor há 20 anos e acha que, caso Jenkins esteja disposto a ajudá-la, pode conseguir informações sobre o paradeiro do pai da jornalista.

Avery sabe onde seu pai está escondido? Victoria Ford é mesmo uma assassina ou alguém armou para ela? Se esse for o caso, quem matou Cameron Young? Walt será capaz de cumprir a sua missão ou as novas descobertas sobre o caso de vinte anos atrás despertará mais o interesse do antigo policial?

Como eu disse, são muitas histórias e muitos personagens na trama, mas Charlie consegue liga-los de forma magistral e deixar a trama muito bem amarrada. Infelizmente me decepcionei um pouco com o final. A trama secundária acaba tomando muito foco no final e deixa a principal, que para mim foi a melhor, em segundo plano, tendo um desfecho rápido e sem emoção. Mesmo assim, Charlie mostra que é sim um dos maiores nomes quando falamos em romances policiais e prova que sabe como prender o leitor.

Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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