Sim, ela está de volta! Uma das minhas autoras favoritas e das mais polêmicas dos últimos tempos: CoHo. Dessa vez a autora traz uma história repleta de clichês – protagonistas com passados duvidosos e cheios de segredos, vindos de mundos diferentes e como pano de fundo o último verão antes da faculdade numa bela casa de praia – mas, sendo ela quem é, levando a história para um lugar que não esperávamos.
Beyah é uma jovem de dezenove anos que acabou de se formar no colegial e está contando os dias para começar uma vida nova fora Kentucky, da casa horrível (se é que podemos chamar aquele trailer de casa) e da mãe dependente química.
A jovem nunca se deu bem com a mãe, que sempre foi negligente. Também teve pouco contato com o pai, que mora em outro estado. Não tem amigas e as poucas interações que tem com os homens só serviram para mostrar como são seres desprezíveis.
Há poucos meses de finalmente realizar seu sonho de sair de casa e ir para a faculdade, encontra a mãe morta no sofá de casa, vítima de overdose.
Lembra quando eu disse que os homens sempre se provaram terríveis com a garota? Pois é, assim que o corpo da mãe é levado embora, o proprietário do trailer dá apenas uma semana para ela se mudar, já que o aluguel não é pago há três meses.
Sem ter para onde ir, pensa apenas em uma solução. Pedir ajuda a única família que lhe restou, seu pai.
Apesar de estranhar a ligação da filha, já que não se falavam há mais de um ano, Brain consegue um voo para o dia seguinte para que ela se encontre com ele. Com medo de dar a notícia da morte da mãe por telefone, Beyah promete a si mesma que contará assim que encontrá-lo pessoalmente. Afinal, seus pais se encontraram pouquíssimas vezes, não é como se fossem apaixonados um pelo outro. Ela foi fruto de apenas uma noitada, um erro de jovens embriagados, e sempre foi tratada como tal, pelo menos pela mãe.
A verdade é que Beyah não sabe quase nada do pai, então está receosa de passar o verão inteiro na nova casa de praia dele, com a nova mulher e enteada. Mesmo sem conhecê-las, conhece bem o tipo que devem fazer. Mãe e filha com uma relação perfeita, unhas e cabelos sempre feitos e tendo tudo o que sempre quiseram.
A realidade de Beyah é diferente. Trabalhou desde cedo para poder se sustentar. Passou fome e teve que aguentar sozinha os diversos assédios toda vez que a mãe levava algum homem para casa. Com um passado assim, é justificável a desconfiança que a garota tem no mundo.

Na balsa, a caminho da casa do pai, Beyah percebe um rapaz a fotografando num momento constrangedor. E não ajuda em nada o fato de ele oferecer dinheiro a ela pouco tempo depois. Ela está cansada de ser tratada dessa forma pelos homens. Como se topasse tudo por dinheiro.
Qual não é a surpresa quando, ao chegar na casa da madrasta, descobrir que o jovem que conheceu na balsa é seu vizinho?
Samson – o jovem da balsa – pede desculpas a jovem e explica o mal entendido.
Mesmo se achando uma boa julgadora dos outros, algo em Samson chama a atenção de Beyah. Apesar de toda a aparência de menino rico que sempre teve tudo, ele tem uma certa dor no olhar. Uma dor que a garota reconhece nos próprios olhos. Solidão.
Quanto mais interagem, mais curiosa fica a respeito do vizinho, e mais misterioso ele fica. Recusando-se a responder suas perguntas, ao mesmo tempo que quer saber tudo a respeito de Beyah.
A recém chegada não sabe como agir, pois nunca confiou em ninguém, mas confia nele de alguma forma, mesmo que ele não confie nela para revelar o que de tão horrível aconteceu em seu passado.
Quais segredos Samson esconde? E Beyah? Será que um verão é tempo suficiente para que duas pessoas traumatizadas consigam se curar? Será que depois de anos se recusando a confiar em alguém, Beyah vai se abrir para o amor? Mesmo sabendo que tudo acabará junto com as férias? Nós somos moldados com base em como somos criados ou podemos nos tornar o exato oposto daquilo que vivenciamos na infância? Uma escolha errada, mesmo que seja por uma questão de sobrevivência, pode mudar tudo o que pensamos sobre alguém? Será que todas essas perguntas serão respondidas até o verão terminar?
Assim como em todos os livros da Colleen eu fiquei imersa na leitura e, assim como o verão, não consegui largar até terminar.
Apesar de não ficar surpresa exatamente com o plot do livro, as reações que se seguiram me surpreenderam positivamente e pude sentir a dor dos protagonistas com todo o peso do passado assombrando seus futuros.
Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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