Uma segunda chance

Não tem jeito, podem falar o que for, mas eu amo a escrita da Colleen Hoover. E a cada obra da autora que leio, me apaixono mais. “Uma segunda chance” foi o livro que mais me fez chorar nos últimos tempos.

Na trama acompanhamos a vida dos protagonistas, Kenna e Ledger, após uma tragédia que mudou por completo suas vidas, mesmo sem nunca terem se encontrado antes.

Depois de cinco anos presa por ter matado o namorado Scotty, Kenna está disposta a voltar a terra natal do amado para provar para os pais do rapaz que tudo foi um acidente e que, mesmo sendo responsável, ainda o ama de todo coração. Mais do que isso, quer mostrar aos antigos sogros que não é o monstro que eles acreditam e merece a chance de participar da vida da filha, que nem ao menos chegou a conhecer.

Logo depois de se declarar culpada pela morte do namorado, Kenna descobriu que estava grávida. Como sua pena estava no começo, os avós paternos ficaram com a guarda da menina e pediram a suspensão dos direitos da mãe. Sendo assim, a jovem nunca pôde nem ao menos segurar sua filhinha no colo uma única vez.

Mas agora, depois de tantos anos, está disposta a tudo para conseguir o perdão dos pais de Scotty, e quem sabe assim, finalmente, conhecer a pessoa que mais ama no mundo, mesmo sem nem ao menos saber qual é sua aparência.

Em seu primeiro dia de volta à cidade, Kenna vai até uma antiga biblioteca que gostava de ir com o ex-namorado. Mesmo após cinco anos, ela pensa nele todos os dias e escreve cartas para ele relatando todos os seus pensamentos. Assim que chega ao local, fica surpresa ao descobrir que se transformou em um bar.

Kenna não conhece ninguém na cidade, então fica em um canto no balcão, o que chama a atenção do dono, Ledger.

O proprietário do bar sempre morou na cidade e conhece todas as pessoas, então é claro que fica intrigado ao ver uma mulher tão bonita sentada sozinha parecendo tão triste. Apesar de todos os seus sentidos implorarem para ele tomar cuidado, na hora que a moça decide ir embora ele pede para que volte mais tarde.

Assim como Ledger, todos os avisos soam na cabeça de Kenna para que não se deixe envolver com o rapaz. Afinal, ela está na cidade com apenas uma missão: conhecer a filha.

Mesmo assim, ela volta ao bar naquela noite dizendo a si mesma que nada vai acontecer entre eles.

Alerta spoiler: acontece!

Mas, minutos antes de Kenna experimentar a melhor experiência relacionada a sexo depois de Scotty, Ledger comete o erro de dizer o seu nome e toda a vida de Kenna é arrasada.

No momento em que o dono do bar diz seu nome, a mulher percebe que ele é o famoso melhor amigo de Scotty. O amigo que ele mais amava, o amigo que cresceu com ele, o amigo que ela nunca chegou a conhecer mas que jamais esqueceu seu nome.

A garota se encontra em um grande conflito pois parte dela se repreende por estar beijando o melhor amigo de Scotty e a outra parte quer muito continuar cometendo o mesmo erro. Depois de muitos minutos (de choro, beijos, amassos no carro) Kenna finalmente volta a si e interrompe tudo.

Ledger, sem saber de nada sobre a moça, fica cada vez mais intrigado sobre o passado dessa mulher misteriosa.

É claro que, quando ele a encontra sentada na frente de sua casa – que é o quintal da casa da família de Scotty – a ficha cai e ele impede que ela se aproxime de Diem, a filha de Kenna.

Desde que a garotinha chegou na casa dos vizinhos, Ledger cuidou dela como se fosse sua própria filha, e a ama de todo coração. Sendo assim, se sente um idiota por não ter percebido quem ela era e por ter a certeza de que o usou para chegar em Diem. Ledger está disposto a tudo para afastar a pessoa que ele mais odeia da que ele mais ama, mesmo elas sendo mãe e filha.

Kenna está realmente em busca do perdão ou tudo não passa de um plano para pegar a filha de volta? À medida que vai conhecendo a garota, Ledger vai mudar sua opinião sobre ela ou o que ela fez sempre vai defini-la? Podemos mesmo resumir uma pessoa por apenas uma decisão errada? Ou essa decisão, se afetar a vida de alguém de forma irreversível, é a prova de todo seu caráter? Quais as consequências para uma criança crescer sem conhecer sua mãe? E existem mesmo consequências, já que não podemos sentir falta do que nunca tivemos? Mas, e para uma mãe? Como é passar a vida imaginando como é o rostinho da pessoa que mais amamos? Kenna é mesmo culpada pelo acidente que tirou a vida de Scotty? E, se ela for, merece uma segunda chance?

Eu não sei explicar o quanto esse livro me tocou. Ao mesmo tempo que senti raiva dos personagens, entendia o lado de todos eles, que só queriam o melhor para a pessoa em comum que mais amam. E o engraçado é que o melhor para ela era diferente para cada um, pois todos pensavam apenas no seu ponto de vista, sem pensar nela em primeiro lugar.

A cada cena que Kenna descrevia a angústia de não poder conhecer a filha ou cada vez que ela dizia o quanto a amava, me pegava em prantos e querendo fazer o possível para ajudar uma mãe em desespero. Ao mesmo tempo em que pensava na outra mãe, que perdeu seu filho por culpa da outra em questão.

“Uma segunda chance” é um daqueles livros que te enchem de perguntas que não tem uma resposta certa e que te fazem mudar de opinião a cada página.

É de longe um dos livros mais lindos que já e eu com certeza me recordarei dele.

Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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