A pequena vendedora de fósforos

Fala, leitores!

Existem histórias que atravessam gerações, tocando nossos corações mesmo depois de tanto tempo. “A pequena vendedora de fósforos”, escrito por Hans Christian Andersen e eternizado com delicadeza na edição da Editora Scipione, ilustrada por Jeff Rey e traduzida por Michèle Iris Koralek, é uma dessas histórias. Um conto curto, mas de um impacto profundo, que nos faz repensar o mundo à nossa volta, especialmente pelos olhos de uma criança.

Nessa narrativa, acompanhamos uma menininha pobre que vaga pelas ruas cobertas de neve na véspera de Ano Novo. Sem sapatos, com frio, com fome e sem ninguém para lhe estender a mão, ela tenta vender fósforos para sobreviver, mas é ignorada pelas pessoas apressadas e indiferentes. Sozinha, ela se abriga em um canto tentando se aquecer com os próprios fósforos que carrega. Cada fósforo aceso se torna uma pequena chama de esperança, iluminando visões doces: uma lareira quente, uma ceia farta, a imagem carinhosa da avó. Ao final, envolta em frio e sonho, a menina parte deste mundo, mas, não sem antes encontrar um tipo de consolo, ainda que cruel: o da imaginação como último refúgio.

“Ninguém ficou sabendo das coisas lindas que ela tinha visto. No meio daquele explendor, entrara com sua avó no Ano-Novo…”

As ilustrações de Jeff Rey são um capítulo à parte. Com traços suaves e expressivos, ele traduz com sensibilidade a dor e o lirismo da história. A tristeza do olhar da menina, o contraste entre a frieza da cidade e o calor dos seus sonhos, tudo é capturado de forma a provocar emoção em leitores de qualquer idade. É o tipo de arte que nos faz parar e refletir, mesmo após virar a página.

A tradução de Michèle Iris Koralek respeita o tom poético e melancólico de Andersen, mantendo a essência do original e tornando a leitura fluida e acessível para o público infantil. Ainda assim, é importante que a leitura seja feita com mediação — seja por pais, professores ou responsáveis, porque a história, embora singela, aborda temas sensíveis como a pobreza extrema, o abandono e a morte.

Foto por Pixabay em Pexels.com

E é justamente aí que mora sua força. Andersen nos oferece uma história que dói, mas que também desperta empatia. A pequena vendedora de fósforos é mais do que uma personagem, ela representa todas as crianças esquecidas pelo mundo, aquelas que passam despercebidas nas esquinas das grandes cidades. Sua história nos chama a olhar para o outro com mais cuidado, a estender a mão antes que seja tarde, e a valorizar as pequenas coisas que muitos têm como garantidas: um teto, comida quente, amor.

Ler esse conto é um lembrete delicado e ao mesmo tempo potente de que sonhos não deveriam ser o único abrigo de uma criança. É uma história para ser sentida, refletida e, acima de tudo, lembrada.

E aí, esse é um livro para recordar? Com certeza. Porque mesmo em meio à tristeza, ele acende uma luz daquelas que a gente não pode deixar apagar.

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