Fala, leitores!
Existe um lugar onde o tempo não passa, onde a infância é eterna e as aventuras parecem não ter fim. Esse lugar se chama Terra do Nunca, e quem nos guia até lá é Peter Pan, o menino que se recusa a crescer. Publicado originalmente em 1911, o clássico de J.M. Barrie ganha uma edição caprichada da Editora Zahar, em formato de bolso de luxo, com tradução delicada e envolvente de Julia Romeu. É um daqueles livros que a gente carrega no coração e, no meu caso, literalmente na bolsa também. Tenho um carinho enorme por essa edição de luxo e costumo levá-la comigo para reler em momentos livres. Sempre me faz bem.
A história começa no quarto dos irmãos Darling, em Londres. Wendy, João e Miguel são surpreendidos numa noite mágica pela visita de Peter Pan e da pequena e ciumenta fada Sininho. Convidados a voar até a Terra do Nunca, embarcam em uma jornada cheia de piratas, sereias, tribos, meninos perdidos e muita fantasia. Mas não se engane: por trás das aventuras coloridas e dos voos encantados, há camadas mais profundas, quase filosóficas.
Peter Pan é um personagem fascinante. Ao mesmo tempo em que representa a liberdade da infância, também carrega traços de solidão e esquecimento. Ele vive o agora, sem memórias, sem apego, e talvez por isso seja tão difícil para ele entender o amor, a saudade e a passagem do tempo. Wendy, por outro lado, é a lembrança do lar, do cuidado, do crescer com afeto. É nesse contraste que o livro emociona e nos faz refletir.
“Segunda à direita, e direto até amanhã de manhã.”

A tradução de Julia Romeu é sensível e respeita o tom original da obra. Ela equilibra bem a fantasia, o humor e a melancolia do texto de Barrie, tornando a leitura leve e, ao mesmo tempo, tocante. A edição de bolso de luxo da Zahar é um verdadeiro mimo: capa dura, projeto gráfico impecável e ilustrações que realçam o encanto da história. Perfeita para carregar por aí e abrir em qualquer página, sempre que bater aquela vontade de escapar um pouquinho da realidade.
“Peter Pan” pode até ser considerado um livro infantil, mas fala diretamente com o adulto que insiste em não esquecer quem foi. Nos lembra da importância de sonhar, imaginar e manter viva aquela parte nossa que um dia acreditou que tudo era possível.
E aí, esse é um livro para recordar?
Sou suspeito para dizer. Porque crescer é inevitável, mas manter viva a magia é uma escolha — e Peter Pan nos ajuda a lembrar disso.

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