Carmilla

Fala, leitores!

Hoje vamos falar de uma história que antecede Drácula, mas que por muito tempo ficou esquecida nas sombras da literatura gótica. Carmilla, A vampira de Karnstein, publicada originalmente em 1872 por Sheridan Le Fanu, é considerada a primeira grande obra sobre vampiras da história. Um clássico que, apesar do tempo, ainda carrega ecos de tensão, mistério e um toque de erotismo sutil — tudo envolto em uma atmosfera densa e sombria.

A história é narrada por Laura, uma jovem que vive com o pai em um castelo isolado nos bosques da Estíria, uma região da Áustria. A vida dos dois segue tranquila, até que um acidente traz à porta da família uma hóspede misteriosa: Carmilla. A jovem, bela e de presença quase hipnótica, logo se aproxima de Laura de maneira intensa, criando um laço que beira o sobrenatural.

Aos poucos, eventos estranhos começam a acontecer. Doenças inexplicáveis atingem moças da região, sonhos perturbadores passam a assombrar Laura, e o comportamento de Carmilla vai ficando cada vez mais inquietante. A tensão vai se acumulando, não através de sustos ou violência explícita, mas por meio de um clima carregado de suspeitas, silêncios e olhares que dizem mais do que as palavras.

A força de Carmilla está justamente em seu subtexto. Para uma obra do século XIX, a relação entre Laura e Carmilla é extremamente ousada. O desejo está ali, presente, mas nunca declarado. A narrativa trabalha com insinuações, com sensações e com uma proximidade entre as personagens que ultrapassa a amizade. E é exatamente isso que torna a leitura tão envolvente. Existe uma sedução velada, uma troca de energia entre as duas que mantém o leitor sempre em alerta.

Foto por ROMAN ODINTSOV em Pexels.com

Apesar de ser uma leitura curta, o livro tem ritmo lento, típico dos romances góticos da época. A descrição dos ambientes, os diálogos formais e o cuidado em construir a ambientação podem ser desafiadores para quem está acostumado com histórias mais dinâmicas. Mas se você mergulhar na proposta, vai encontrar uma narrativa cheia de simbolismos e críticas à repressão dos desejos, ao papel da mulher na sociedade e ao medo do desconhecido.

Outro ponto interessante é perceber como Carmilla antecipa muitos elementos que só seriam popularizados com Drácula, publicado 25 anos depois. A figura do vampiro sedutor, a ameaça infiltrada no cotidiano, o castelo isolado, a fragilidade da protagonista… tudo isso já está presente aqui. É impossível não ler e pensar em quantas obras vieram depois inspiradas por essa vampira que desafia convenções.

A edição da Novo Século traz ilustrações que combinam bem com o clima do livro. A arte sombria e expressiva reforça o aspecto gótico da história e ajuda a imergir ainda mais nesse universo de mistério e decadência.

Se você gosta de clássicos, vampiros e histórias que flertam com o proibido, Carmilla é uma leitura indispensável. Não espere ação desenfreada ou sustos cinematográficos. Aqui, o terror é mais psicológico, mais simbólico e, por isso mesmo, mais perturbador.

Agora a pergunta é com vocês: Esse é um livro para recordar?

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