Fala, leitores!
Hoje vamos falar de um livro que definitivamente divide opiniões. A Última Casa da Rua Needless, de Catriona Ward, é um suspense psicológico daqueles que te desconcerta, te provoca e, quando você acha que entendeu tudo, vira a mesa e te faz questionar absolutamente cada detalhe lido até ali. É estranho, perturbador na medida certa e tem um final que faz você surtar.
Vou tentar ser o mais neutro possível, porque a ideia aqui não é dar spoilers, e sim fazer você, leitor, querer mergulhar nessa história, tirar suas próprias conclusões e depois voltar aqui para conversar comigo nos comentários. Esse é um daqueles livros que rendem debate.
Desde o lançamento, A Última Casa da Rua Needless já havia chamado minha atenção. Bastou bater o olho na capa na livraria para pensar: “eu preciso ler esse livro”. Evitei qualquer comentário, resenha ou vídeo sobre ele justamente para preservar a experiência completa. E ainda bem. Foi uma leitura intensa, daquelas que você não larga até conseguir respostas. E quando elas chegam, você percebe que a autora usa elementos clássicos do terror psicológico para dar um novo significado a algo que achávamos já muito explorado no gênero.
Na história, conhecemos Ted Bannerman, um homem que vive isolado na última casa da Rua Needless com sua filha Lauren e sua gata, Olivia. Ted é um personagem difícil de decifrar. Ele sofre com lapsos de memória, faz uso excessivo de álcool e passa grande parte do tempo assistindo televisão, como se aquilo fosse sua única forma de anestesiar a própria mente. Há onze anos, ele foi investigado pela polícia após o desaparecimento de uma garotinha, mas acabou descartado como suspeito. Ainda assim, Ted evita a luz do dia, evita contato humano e parece carregar algo que nunca foi totalmente resolvido.

A narrativa ganha uma nova camada quando Didi, a irmã mais velha da garota desaparecida, se muda para a casa ao lado. Para ela, o caso nunca foi encerrado. Mesmo com Ted fora da lista oficial de suspeitos, Didi acredita que assassinos cometem erros e que, mais cedo ou mais tarde, a verdade sempre deixa rastros. E é nessa obsessão que os dois personagens se chocam, criando uma atmosfera de paranoia constante, onde ninguém parece confiável — nem mesmo o narrador.
Um dos grandes trunfos do livro está justamente na forma como a história é contada. A autora brinca com pontos de vista, fragmenta a narrativa e faz o leitor desconfiar de tudo. Até mesmo a gata Olivia tem capítulos narrados por ela, o que pode parecer estranho num primeiro momento, mas logo se revela parte essencial do quebra-cabeça psicológico que o livro constrói. Nada está ali por acaso.
A sensação ao longo da leitura é de desconforto contínuo. Você sente que algo está errado, mas não consegue apontar exatamente o quê. A cada capítulo, novas informações surgem, enquanto antigas certezas começam a desmoronar. Há uma frase de uma pessoa que autora entrevistou que resume bem o espírito do livro: “Sempre estamos protegendo a criança.” Ela ecoa no posfácio do livro e ganha significados diferentes conforme avançamos.
A Última Casa da Rua Needless não é um suspense fácil. Ele exige atenção, paciência e entrega. Pode causar estranhamento, pode frustrar quem busca respostas rápidas, mas recompensa quem aceita o jogo psicológico proposto por Catriona Ward. É um livro que provoca, confunde e, quando termina, continua vivendo na sua cabeça por dias.
Eu faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

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