Em Jogo de Amor para Dois

Fala, leitores!

Ali Hazelwood já provou que sabe brincar com tensão romântica, personagens inteligentes e aquele tipo de química que começa no desconforto e termina fazendo o leitor sorrir feito bobo. Em Jogo de Amor para Dois, ela troca os laboratórios e universidades por um universo igualmente competitivo: o mercado de desenvolvimento de games.

A história acompanha Viola Bowen, uma designer de jogos que recebe a oportunidade dos sonhos: participar da criação de um videogame inspirado em sua série de livros favorita. Para qualquer pessoa apaixonada por histórias e jogos, isso já seria motivo suficiente para surtar. O problema é que esse projeto vem acompanhado de um detalhe nada agradável: ela terá que trabalhar lado a lado com Jesse Andrews, outro designer talentoso, bonito, irritante e, para piorar, alguém que sempre pareceu fazer questão de manter distância dela.

Viola e Jesse já se cruzaram algumas vezes em eventos profissionais e possuem amigos em comum, mas a relação entre os dois nunca fluiu. Pelo contrário. Jesse age de forma fria, fechada e quase impossível de decifrar, o que deixa Viola frustrada, principalmente porque, por mais que tente negar, existe ali uma queda antiga que ela nunca conseguiu enterrar completamente. O famoso “não gosto dele, mas também não paro de reparar nele”. Quem nunca, né?

A situação fica ainda mais complicada quando as empresas dos dois precisam unir forças para que o jogo aconteça. Como as equipes carregam rivalidades e desconfianças, os chefes decidem que a melhor solução é promover um retiro de inverno para aproximar todo mundo. Sim, porque aparentemente colocar pessoas tensas numa pousada remota, cercada de neve, é o RH gritando “isso vai dar certo”. E, claro, é nesse ambiente frio, isolado e cheio de convivência forçada que a história começa a pegar fogo.

Foto por Feyruz Aslanov em Pexels.com

O grande charme do livro está justamente nessa tensão entre o que Viola acha que sabe sobre Jesse e aquilo que ele começa a revelar aos poucos. Ali Hazelwood trabalha com aquele romance de mal-entendido, desejo acumulado e sentimentos que ficaram tempo demais escondidos. Para alguns leitores, essa fórmula pode soar familiar, principalmente para quem já acompanha a autora há algum tempo. Mas, mesmo assim, a leitura funciona porque tem ritmo, carisma e aquele toque confortável de comédia romântica que a Ali sabe entregar.

Viola é uma protagonista fácil de acompanhar. Ela é esforçada, determinada e quer muito que o projeto dê certo. Existe algo muito gostoso em vê-la tentando manter a postura profissional enquanto lida com a presença constante de Jesse, com as tensões entre as equipes e com a própria confusão emocional. Jesse, por sua vez, vai deixando de ser apenas o cara distante e começa a ganhar camadas, especialmente quando entendemos melhor os motivos por trás de seu comportamento.

O livro talvez pudesse explorar um pouco mais o universo dos games, já que essa ambientação tem um potencial enorme. Ainda assim, o cenário funciona como pano de fundo para um romance rápido, divertido e com aquela energia de “só mais um capítulo”. É uma leitura para quem gosta de química acumulada, convivência forçada, neve lá fora e sentimentos pegando fogo por dentro.

Jogo de Amor para Dois não reinventa o romance contemporâneo, mas entrega uma história envolvente, sexy na medida certa e perfeita para quem quer uma leitura gostosa, com personagens adultos tentando lidar com sentimentos que claramente passaram tempo demais no modo silencioso.

Eu faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

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