Ninguém é capaz de me prender em um livro como Colleen Hoover. A cada novo título da autora, ela se firma ainda mais como a melhor que já li.
Em “É assim que acaba”, acompanhamos a história de Lily, uma mulher de 23 anos que já viveu muito mais do que a maioria das pessoas da sua idade. A trama começa no dia do funeral de seu pai. A garota está no telhado de um prédio alto, e tudo o que quer é ficar sozinha e pensar no discurso fúnebre que fez – ou tentou fazer.
Lily Bloom não teve uma infância nada fácil. Presenciou, dentro da própria casa, as inúmeras agressões do pai com sua mãe e, agora que o pai morreu, não consegue deixar de sentir certo alívio. Por viver embaixo de um teto tão perturbado, tudo que deseja é encontrar um homem totalmente diferente de seu pai. E tem a certeza de que, se esbarrar em um errado, não será como sua mãe. Irá embora ao primeiro sinal de instabilidade que ele possa apresentar.
É nesse cenário que ela conhece Ryle. O homem aparece no telhado e aparenta estar tão perturbado quanto Lily ao tentar – em vão – destruir uma cadeira aos chutes. Quando percebe a presença da moça no parapeito do telhado, se preocupa e pede que ela desça. Assim, começam uma conversa. Na verdade, a conversa mais nua e crua que ambos já tiveram, com direito a confissões sobre sexo com mendigo e um pedido, totalmente direto, para uma transa sem compromisso.
A garota fica chocada com a forma como Ryle é direto e parece não ter medo de dizer o sente. Além de lindo, o rapaz é um médico ambicioso que está disposto a tudo para se tornar o melhor neurocirurgião de sua geração. Infelizmente ele possui um defeito: nunca sonhou com casamento. Seu único objetivo de vida é a ascensão no trabalho.
Após esse encontro nada casual, eles se separam e Bloom tem certeza de que não o verá nunca mais. Porém, diante de tantas coisas que aconteceram nos últimos dias, decide abrir uma caixa com seus antigos pertences que estava na casa dos pais e encontra seus diários. São escritos como cartas, nunca enviadas, a Ellen DeGeneres. Nas páginas ela relata como conheceu Atlas, um aluno da escola em que estudava que estava morando escondido na casa abandonada ao lado. Escreve também como o ajudou, como se tornaram amigos, e como se apaixonaram.
Seis meses após o encontro nada convencional no telhado, Lily está começando um novo negócio: uma floricultura. Sempre foi como uma terapia cuidar do jardim de sua casa e está decidida a fazer de um hooby, sua profissão. É assim que conhece Allysa. A mulher simplesmente entra na loja recém comprada e pede um emprego, para a surpresa de Lily, que nem ao menos estava pensando em contratar alguém ainda. Mesmo sendo podre de rica, Allysa parece ser exatamente do que a florista precisa.
Qual não é a surpresa de Lily ao descobrir que sua nova funcionária, com potencial para ser sua nova melhor amiga, é irmã de Ryle!

O reencontro é regado a novas verdades nuas e cruas e mais uma proposta de sexo casual. Ao ter seu pedido negado novamente, ambos decidem que é melhor se manterem afastados, já que querem coisas completamente opostas pra vida e a atração entre eles parece estar mais forte mesmo após tanto tempo.
Nem preciso dizer que essa distância não dura nada e, depois de muita relutância, eles começam um relacionamento. O que era para ser apenas um teste, se torna um namoro, com direito a um jantar com a mãe de Lily. A noite estava perfeita. O restaurante era ótimo, a mãe estava encantada com o namorado da filha e nada parecia impossível para o casal. Até que um garçom chega para anotar os pedidos e Lily tem a certeza de que era Atlas. Quer dizer, eles não se viam fazia quase uma década, mas ela nunca esqueceu aqueles olhos azuis e a forma como seu olhar a deixava.
Mesmo após a confirmação de que realmente era seu primeiro amor que estava parado na sua frente, Lily está disposta a seguir com seu namoro, afinal Ryle é o homem perfeito. Ambicioso, inteligente, engraçado, carismático, bom de cama e capaz de deixar um uniforme hospitalar a roupa mais sexy que ela já viu.
Será que o reencontro com Atlas poderá se tornar um problema no relacionamento de Lily e Ryle? Quais os impactos de viver uma tragédia faz com alguém? E os traumas de viver em um lar agressivo? Quando crescemos presenciando um relacionamento abusivo, achamos que aquilo é uma forma de demostrar amor? Ou somos capazes de romper esse ciclo?
“É assim que acaba” é um livro extremamente sensível, com inúmeros gatilhos, principalmente para nós, mulheres. Mas que é de suma importância, em especial nos dias de hoje.
Fiquei com sentimentos muito conflitantes enquanto lia. Tentei me colocar no lugar de Lily várias vezes para entender como agiria em determinada situação, mas algumas são impossíveis de prever. Tem coisas que somente quem viveu é capaz de saber.
Independentemente de qualquer conclusão que chegamos ao terminar o livro, uma coisa é certa: a culpa nunca é da vítima. Uma mulher não é fraca por suportar um relacionamento abusivo. Enquanto tentarmos buscar a justificativa para uma mulher aceitar viver esse relacionamento, e não para a atitude de seu parceiro, não iremos para frente.
Foi um dos livros mais fortes que eu li até agora. Que me fez sorrir ao mesmo tempo que me fez chorar. Colleen, muito obrigada por compartilhar essa história, que é, infelizmente, a realidade de milhares de mulheres. Mas, não se esqueça: continue a nadar!
Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar
