Depois de um tempo sumida por aqui, Carina Rissi está de volta no tbt de hoje. Sempre digo – ou escrevo – que os clichês, quando bem desenvolvidos, são mais do que bem vindos. E é o caso em “No mundo da Luna”.
Luna é uma garota de 24 anos, formada em jornalismo, que sonha em ganhar sua própria coluna na revista em que trabalha, Fatos&Furos. Mas, se depender do editor chefe, Dante, a jornalista nunca saíra da recepção. O homem não acerta nem seu nome (sempre a chama de Clara) que dirá dar uma chance de ela mostrar seu potencial.
Dante Montini é um renomado jornalista que conseguiu um cargo excelente em pouco tempo de trabalho. Apesar de seu talento, está passando por maus bocados na revista, que parece estar perdendo cada vez mais lugar no mercado com o avanço da era digital.
É por isso que, com poucos recursos disponíveis, o editor tem que se virar com sua equipe já reduzida, dando mais serviço aos seus jornalistas. É assim que Luna tem sua grande chance e ganha, enfim, uma coluna pra chamar de sua. Ou quase isso.
A garota tem que assumir a parte de horóscopo, coisa que não entende nem um pouco, e muito menos acredita. Mas, como essa parece ser a única oportunidade de mostrar seu trabalho, aceita.
Luna vem de uma família cigana. Na verdade, sua mãe era cigana, mas abandonou todas as origens ao se casar com o pai de Luna. Assim, pro desgosto da avó Cecilia, a jovem e o irmão, Raul, nunca se interessaram pelas tradições ciganas.
Mas, diante da situação em que se encontra, Luna recorre a avó e seu mundo místico. É claro que para Cecilia, que sempre sonhou com o dia em que os netos enfim abraçariam suas origens, é uma afronta a neta só querer aprender sobre a cultura para tirar proveito disso, então se recusa a ajudá-la.
Assim, tendo que se virar sozinha, vai até uma loja e compra um baralho cigano. Mesmo sendo alertada pela vendedora de que ele é poderoso e que ela deve tomar cuidado ao manusear as cartas, a jornalista não dá bola para o conselho da mulher e embarca de cabeça em sua nova função.
Luna não suporta o chefe. Além de arrogante e extremamente grosseiro, o homem nunca demonstrou o menor interesse em conhecê-la. O motivo de uma pessoa dessas ser namorado de uma das maiores modelos do país, ela desconhece.
Achando que a nova função pode enfim fazer Dante perceber seu talento, a garota fica revoltada quando ele pede para ela continuar com o cargo de recepcionista, já que a coluna não tiraria muito o tempo dela.
Cansada das humilhações causadas pelo chefe, num momento de raiva, Luna decide mandar seu currículo para todas as revistas, querendo se livrar de uma vez por todas de seu redator tirano.
É no meio dessa confusão que Luna conhece Vinicius, e cai de quatro pelo novo fotógrafo da revista. Apesar de não acreditar nas misticidades das tradições ciganas, Cecilia sempre fez questão de ler o futuro da neta para alerta-la quando necessário. É por isso que, quando a avó diz que o homem de sua vida enfim vai chegar, Luna está certa de que é o Viny.
Depois de meses na fossa pelo ex-namorado traidor, Luna está ansiosa por uma noite que tem tudo para ser mágica. Ou teria. Se Viny aparecesse…
Lá está Luna, toda linda esperando o fotógrafo, quando ele liga dizendo que terá que remarcar pois surgiu um compromisso de trabalho. Pra piorar, ela encontra o ex, Igor, com a nova namorada – ou melhor, noiva. Arrasada com os últimos acontecimentos, a jornalista só quer afogar as mágoas na bebida.
Como tudo sempre pode piorar, Dante aparece de repente e parece estar tão na foça quanto a garota, pois levou um pé na bunda da namorada. Apesar de odiar o chefe, Luna sabe como é triste ser largada e serve de ombro amigo.
Várias doses depois, a garota acorda na manhã seguinte em um quarto. Pelada. Com um homem ao seu lado. Também pelado.
O homem no caso é o Dante. Que, pra piorar, é um tremendo gostoso.
De ressaca, a garota não lembra de muita coisa da noite anterior, então acredita – ou quer muito acreditar – que eles apenas pegaram no sono. O motivo de estarem nus, ela prefere não descobrir. Assim, decidem não contar pra ninguém e prometem que isso nunca mais acontecerá.
Alerta spoiler: vai acontecer.
Como se tudo não estivesse uma confusão, a nova coluna de Luna é um sucesso entre os leitores, que juram que a Cigana Clara – nome pelo qual assina a coluna – acerta todas as previsões. Com a fama que está ganhando, dificilmente terá a chance em outro departamento na revista.
Além disso, a jornalista recebe uma proposta para escrever artigos freelancer para a revista concorrente, Na Mira, e, jurando ser só por um tempo até melhorar financeiramente, aceita. Mas novamente não assina o artigo com o seu nome, temendo ser descoberta por Dante.
Mesmo com toda a animosidade entre Luna e o chefe, algo mudou entre eles depois daquela noite de bebedeira. Algo que eles não sabem explicar, mas que parece atrair um para o outro. Como mágica…
As previsões da Cigana Clara são mesmo certeiras? Ou apenas acreditamos no que queremos? Quais consequências sofremos ao brincarmos com o futuro? A noite entre Dante e Luna foi apenas um momento de loucura ou existe uma explicação mística para tudo isso? Qual será o futuro da jornalista? Ou melhor, ela quer mesmo saber o que está em seu destino?
Com uma história embalada pelo misticismo, Carina Rissi nos presenteia com personagens reais, casais apaixonantes, cenas deliciosamente sensuais, e diálogos hilários.
“No mundo da Luna” foi um dos melhores livros que li da autora e com certeza ganhou meu coração. Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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