A conclusão da trilogia “Manual de assassinato para boas garotas” despertou em mim diversos sentimentos e me fez questionar vários pontos do livro. Eu adoro histórias que fazem com que eu pense nelas mesmo depois de terminar a leitura.
A trilogia foi ficando mais sombria a cada história e fomos acompanhando a mudança na vida de Pip a cada mistério resolvido pela garota. Nessa última aventura, nossa protagonista se encontra em uma encruzilhada após presenciar a morte tão de perto. Depois de tudo o que viveu nos últimos meses, será que seu julgamento de bem e mal mudou?
Se você não leu os dois primeiros livros cuidado pois a resenha contém spoilers!
Após a morte de Stanley Forbes em seus braços, Pip ficou atormentada por toda situação. Não parava de ouvir os seis tiros que Charlie Green havia dado no jornalista. Não parava de escutar o som das costelas de Stanley se quebrando e nem de sentir o sangue do homem por suas mãos, em todo corpo. Mesmo dizendo a todos que estava melhor, a garota começou a usar medicamentos para dormir.
Não conseguia parar de pensar no dilema que envolvia Charlie e Stanley. Por um lado, Charlie era apenas um irmão desesperado em busca de justiça pelo assassinato da irmã. Por outro, Stanley era apenas um menino quando o pai o obrigava a assassinar jovens. Ele não tinha a chance de recomeçar sua vida depois da morte do pai? E Charlie? Não tinha o direito de fazer justiça em nome da irmã? Essas foram as principais perguntas que surgiam na mente de Pip e a menina não encontrava uma resposta correta. E devo admitir, eu também não.
Mas Pip tinha um plano, ela sempre tinha um. Só precisava de mais um caso. Precisava desvendar mais um caso, no qual não existia dúvidas entre bem e mal, para que pudesse se reestabelecer e voltar a ser a boa garota que sempre foi. Esse era o plano e, quando começou a receber ameaças de uma pessoa anônima, logo agarrou a chance.
Qual a melhor forma de separar o bem do mal do que ser a própria vítima? Era o recomeço perfeito para Pip.
As ameaças começaram online, com uma simples pergunta “Quem vai investigar quando você desaparecer?”. Mas, depois de encontrar dois pombos mortos, um deles sem cabeça, na porta de sua casa, em diferentes dias, nossa investigadora começou a se preocupar. E o que eram esses desenhos feitos com giz em sua garagem? Cinco bonecos sem cabeça, se aproximando cada vez mais da entrada da casa.
Ravi, que sempre se preocupou com a namorada, a aconselhou a buscar ajuda da polícia. Mas é claro que, como todas as vezes em que Pip pediu ajuda do detetive Hawkins, o homem negou. Afinal não era nada demais ter um hater na internet quando se é uma figura pública. Os desenhos? São só brincadeira de criança. Os pombos? Algum gato da vizinhança.

Mais uma vez as autoridades deixariam uma menina de 18 anos resolver os próprios problemas. É assim que Pip começa sua investigação e descobre que o que está acontecendo com ela é muito similar ao modus operanti de um famoso serial killer, o Assassino da Silver Tape.
Há seis anos o homem confessou seus cinco assassinatos e está preso. Apesar disso, a mãe do condenado jura que o filho é inocente e, após uma conversa com Pip, a garota começa a se questionar também sobre a inocência do rapaz e se preocupar pois, se Billy é inocente, o verdadeiro assassino está a solta. E atrás dela. Sua sexta vítima.
Se Billy é inocente, por que as mortes pararam depois de sua prisão? Ou pior, quem é o verdadeiro Assassino da Silver Tape? O stalker de Pip pode mesmo ser um famoso serial killer ou é apenas um imitador? Até onde iríamos em nome da justiça? Existe o bem e o mal e nada mais? Ou tem algo no meio disso? Se tiver, o que exatamente é? Pip vai conseguir desvendar esse caso e voltar a ser a boa garota que sempre foi? Ou boa garota, nunca mais?
Senti raiva e empatia por Pip durante toda a leitura. Me peguei indignada com as burrices da protagonista em vários momentos gritando pro livro para ela não fazer isso ou aquilo – SE TEM UM ASSASSINO TE PERSEGUINDO POR QUE ANDAR POR AI SOZINHA? – Mas isso só me deixou mais viciada na leitura.
Eu sabia quem era o grande vilão desde o começo e fiquei surpresa quando foi revelado antes da metade do livro, mas o desenrolar a partir disso tomou proporções que eu não imaginava e me surpreenderam positivamente.
Apesar de ter gostado muito do desenrolar da trama, achei o finalzinho um pouco arrastado. Parece que ficou andando em círculos e me deu um pouco de preguiça as últimas páginas. Mas achei um final digno pra essa trilogia e posso dizer que um nome de livro nunca fez tanto sentido antes!
Obrigada Holly Jackson por alugar um triplex na minha cabeça e por fazer eu me questionar sobre cada ação que os personagens tomavam. Acho que jamais conseguirei responder essas perguntas.
Mas você pode responder a uma muito simples: esse é um livro para recordar?

Deixe um comentário