Com amor, Simon

Fala, leitores!

Hoje é dia de TBT e como estamos no mês do amor, vamos falar de um livro que muita gente já conhece por causa do filme, mas que — como quase sempre — tem muito mais a oferecer em suas páginas. Com amor, Simon, da autora Becky Albertalli, é uma daquelas histórias que, à primeira vista, pode parecer simples, mas que carrega uma profundidade emocional bem maior do que se imagina. E confesso: essa não foi uma leitura fácil de início.

Tentei ler o livro há algum tempo e simplesmente não rolou. Faltava algo, parecia que a trama não me pegava. Mas como toda boa história merece uma segunda chance, resolvi voltar — e que bom que voltei. Dessa vez consegui enxergar as camadas que fazem de Simon um personagem tão especial. Ele é um adolescente comum, com todos os dilemas que essa fase traz, mas também é alguém completamente fora do “meio queer” tradicional. E isso diz muito.

Simon não é o garoto que se encaixa nos estereótipos. Ele vive sua sexualidade de forma discreta, silenciosa, meio escondida — não por vergonha, mas porque ainda está descobrindo como contar ao mundo quem ele realmente é. É como se ele estivesse abrindo um caminho, sozinho, para todos os que ainda vão chegar. Existe coragem aí, mesmo nos momentos de medo.

A história começa quando Simon troca e-mails anônimos com outro garoto da escola, Blue, com quem ele compartilha segredos, medos e desejos. É através dessas conversas que vemos Simon de forma mais vulnerável e verdadeira. Quando um colega da escola descobre os e-mails e começa a chantageá-lo, Simon se vê diante da possibilidade de ser tirado do armário antes de estar pronto — e é aí que a narrativa ganha peso e tensão.

Foto por Tijana Drndarski em Pexels.com

O mais interessante foi perceber como o livro dá mais atenção à família do Simon do que o filme conseguiu mostrar. No longa, a família parece saída de um comercial de margarina: todos perfeitos, felizes e compreensivos. No livro, há mais nuances. A relação com os pais e as irmãs é mais real, mais humana, cheia de silêncios, tropeços e momentos de sinceridade. Isso torna o enredo mais crível e, consequentemente, mais tocante.

A escrita da Becky Albertalli é leve, mas cheia de significado. Ela não dramatiza além da conta, mas também não deixa de lado as dores que fazem parte da jornada de um adolescente queer em um ambiente escolar conservador. Simon é engraçado, sarcástico, sensível e extremamente identificável. Ao longo do livro, ele vai se tornando mais forte, mais dono de si, e o leitor cresce junto com ele.

Com amor, Simon não é só uma história de descoberta e romance adolescente. É também sobre pertencimento, sobre encontrar sua voz mesmo quando ela parece pequena, e sobre aceitar que nem sempre dá pra controlar como o mundo nos enxerga — mas dá pra controlar como a gente decide viver nossa verdade.

Fazemos a resenha, mas a pergunta é com vocês: Esse é um livro para recordar?

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