Anna O

A resenha de hoje traz mais uma carinha nova por aqui: Matthew Blake. “Anna O” é seu livro de estreia, e a pedida de hoje.

Anna O é filha de uma política e um bancário, escritora e fundadora de uma revista e uma assassina. Matou seus dois melhores amigos, Indira e Douglas. Mesmo assim nunca foi presa pois, após os assassinatos, Anna fechou os olhos e nunca mais acordou. Ela não morreu, apenas dorme há mais de 4 anos.

Depois de tanto tempo, um julgamento precisa acontecer. E Benedict Prince, psicólogo forense especialista em crimes do sono, é encarregado de tentar o que ninguém conseguiu ainda. Fazer Anna acordar.

O caso ganhou repercursão em todo o país, dividindo opiniões. Mesmo com todas as evidências apontando para Anna – suas impressões digitais na arma do crime, o sangue das vítimas em suas roupas, a confissão enviada por mensagem para os pais – há quem acredite na inocência da jovem. Afinal, se ela cometeu os crimes enquanto estava dormindo, ela pode mesmo ser responsabilizada por eles?

A escritora sempre sofreu com epsódios de solambulismo, que foram abafados da mídia pelos pais para não gerar repercursão. Agora, ela sofre da famosa síndrome da resignação. Segundo acreditam, a realidade do que fez é forte demais para ela encarar, fazendo com que tenha caido num sono profundo.

Enquanto Ben tenta métodos para acordar a famosa Bela Adormecida, se depara com um caso que aconteceu vinte anos antes do crime que Anna cometeu. Sally Turner matou seus dois enteados enquanto dormia, exatamente na mesma data em que a jornalista matou seus amigos.

Sally se tornou uma lenda nos crimes do sono e Ben quer entender o que liga esses dois crimes além das datas. 30 de agosto de 1999. 30 de agosto de 2019.

Foto por Phil Desforges em Pexels.com

No meio da investigação, descobre que Anna vinha estudando o caso de Sally para uma publicação em sua revista. Estudo ou inspiração?

Quanto mais tenta descobrir o que aconteceu com Anna antes dos crimes, mais envolvido na história de Turner fica. E mais começa a questionar a culpa da jornalista nos assassinatos.

Ben descobre que Anna estava em contato com alguém muito próximo a Sally, apesar de sua identidade não ser revelada. Será que esse contato é o verdadeiro assassino de Indira e Douglas? Por que?

Anna O é mesmo culpada? Ou tudo não passa de uma armação? Como ela conseguiria enganar a todos por mais de 4 anos? A mente humana pode ser controlada desse jeito? Se Anna é inocente, quem é o verdadeiro culpado? Quais segredos a jornalista esconde? Quem é o contato de Anna? Qual sua relação com Sally Turner? Ben será capaz de fazer a Bela Adormecida abrir os olhos? Uma pessoa que comete um erro, por pior que seja, quando está inconsciente, deve ser responsabilizada por ele? Ou nosso inconsciente apenas traz à tona vontades e desejos reprimidos pelo nosso consciente? O sonambulismo, nesse caso, é um crime ou uma condição? Caso Anna seja culpada, ela deve ser condenada ou tratada?

O livro traz questionamentos muito interessantes. Os capítulos são curtos e tem tantas reviravoltas, que é impossível parar de ler. Eu descobri muitos dos plot twists ao longo da leitura, mas Matthew tem tantas cartas na manga que acho difícil você não se surpreender com pelo menos uma revelação. A trama muda o tempo todo, nos fazendo questionar quem está dizendo a verdade.

Se eu posso pontuar algo que não gostei foi a quantidade de termos técnicos e casos de estudo que não sei se são reais ou ficção, fazendo algumas partes da leitura se tornarem arrastadas. Mesmo assim, é uma leitura que vale a pena para os amantes de thriller.

Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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