Não confie em ninguém

Charlie Donlea já é figura carimbada por aqui e acho difícil não se apaixonar por sua escrita fluída e viciante. Após a leitura de “Não confie em ninguém”, posso dizer que é meu livro favorito do autor – pelo menos por enquanto.

Na trama acompanhamos a vida de Sidney Ryle, uma cineasta que vem ganhando reconhecimento após três documentários de sucesso, nos quais reconta histórias de crimes reais. O gênero pode não ser inovador em seu meio, mas o que diferencia seus trabalhos dos outros é que, depois da exibição, nos três casos, os culpados pelos supostos crimes foram inocentados, diante das novas provas que a documentarista descobriu em suas investigações.

Isso a tornou popular não só entre o público que consome esse tipo de conteúdo, mas, principalmente, entre os diversos prisioneiros pelo país que querem provar sua inocência e enxergam na jornalista uma esperança.

Após emplacar três sucessos na carreira, Sidney quer algo novo para o próximo trabalho. Os casos anteriores em que se envolveu eram crimes não conhecidos, então, para o novo projeto, decide pegar uma história que ficou muito conhecida em 2007, dez anos atrás. É por isso que nossa protagonista decide reencontrar uma antiga colega que, através de cartas, pede socorro a cineasta há anos. Assim conhecemos Grace Sebold.

Grace foi presa em 2007 após ser acusada de matar o namorado, Julian Crist, em um resort em Santa Lúcia, no Caribe. Ambos cursavam a faculdade de medicina e estavam viajando com um grupo para o casamento de um casal de amigos da garota, Daniel e Charlote.

O que era para ser uma viagem divertida e romântica se torna o pior pesadelo de Grace, pois, além de perder o namorado de uma forma trágica, é condenada por seu assassinato.

Julian faria uma caminhada até o topo de um penhasco e tinha pedido para a namorada encontra-lo no local ao final da tarde. Sua intenção era pedir sua mão em casamento. Infelizmente, o rapaz nunca teve a chance de realizar seu desejo pois, após um forte golpe na cabeça, foi jogado em queda livre em direção ao mar.

Seu corpo foi descoberto por um casal de turistas no dia seguinte. A princípio, acreditaram que o rapaz havia caído do penhasco, mas, depois de exames realizados no cadáver, a fratura no crânio provou que o caso não se tratava de um acidente, e sim, de um homicídio.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Grace logo vira o alvo principal do detetive responsável pela investigação. Mais de uma pessoa relatou em seus depoimentos que ambos tiveram uma briga na tarde da morte do rapaz. A mulher alega que o motivo da discussão foi o ciúme que Julian sentiu ao descobrir que a namorada tinha se envolvido com Daniel no passado. Mas a polícia logo descobre que o ciúme era sim a pauta da briga, mas que era Grace quem estava brava por descobrir que o futuro médico mantinha contato com a ex-namorada.

A discussão, juntamente com as provas encontradas pela equipe responsável (uma pegada de Grace no penhasco, a arma do crime com suas digitais e o sangue de Julian encontrado em seu quarto), foram razões mais do que suficientes para a prisão da jovem, aos 26 anos.

Apesar de tudo apontar para a estudante, ela sempre alegou ser inocente, e pede desesperadamente para Sidney ajuda-la a pelo menos a contar sua versão da história.

Decidida a descobrir toda a verdade por trás do caso de Julian e Grace, Sidney cria um documentário em tempo real, no qual o público vai descobrindo as pistas quase ao mesmo tempo que a cineasta, levando seu novo projeto a se tornar campeão de audiência em sua emissora.

Mesmo com todas as provas contra a garota, a polícia pode ter se equivocado em suas buscas? Ou a pressa para limpar a imagem desse lugar paradisíaco os levou a um exame mal feito para não afastar os turistas? Casos de amor mal resolvidos sempre voltam para nos atormentar? Ou é possível superarmos com o tempo e seguirmos a diante? Grace é mesmo inocente? Ou é uma assassina fria e calculista? Vale tudo, inclusive colocar em risco o destino de alguém, em nome do sucesso? Ou a verdade é sempre a melhor escolha?

Diante de tantas perguntas e reviravoltas, não consegui parar de ler até chegar no final. A cada página minhas suspeitas aumentavam e minhas teorias mudavam, e queria desesperadamente saber o que de fato aconteceu naquela viagem, em 2007, e quem era Grace Sebold.

Eu adorei a história, e se tornou umas das melhores leituras de 2023 por enquanto. Agora fica com vocês a pergunta: esse é um livro para recordar?

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