Pollyanna

Fala, leitores!

Hoje trago uma resenha muito especial: Pollyanna, de Eleanor H. Porter. Este é um daqueles clássicos que atravessam gerações e continuam despertando reflexões sobre a forma como enxergamos a vida. Publicado em meados de 1913, o livro se consolidou como um fenômeno literário de seu tempo e até hoje guarda sua magia – a leveza da escrita de Eleanor conquista o leitor de imediato e o transporta para uma narrativa doce, porém repleta de significado.

A trama acompanha Pollyanna Whittier, uma garotinha órfã de pai e mãe, enviada para viver com a tia Polly, uma mulher rígida, rígida e aparentemente pouco disposta a abrir espaço para afetos. No entanto, a chegada da menina muda a rotina daquela cidade e, principalmente, da vida de sua tia. Pollyanna carrega consigo algo que a torna diferente: o famoso “jogo do contente”, uma filosofia simples de sempre encontrar um motivo para agradecer, mesmo diante das maiores adversidades.

Esse jogo, inicialmente um recurso que seu pai inventou para consolar os momentos difíceis, ganha corpo no dia a dia da protagonista. De forma quase inocente, Pollyanna vai tocando a vida de todos que cruza: vizinhos rabugentos, pessoas solitárias e até aqueles que pareciam já ter desistido da esperança. Sua positividade contagia e transforma não só os personagens ao redor, mas também o leitor, que inevitavelmente se pega refletindo sobre a importância de olhar para a vida com gratidão.

Pollyanna não é um livro que traz grandes debates sociais ou políticos de sua época. Na verdade, quando pensamos no contexto histórico do início do século XX, fica claro que Eleanor não tinha a intenção de levantar bandeiras. Seu poder está justamente na simplicidade: o lembrete de que o bem que oferecemos ao mundo retorna para nós de alguma forma.

E aqui quero deixar minhas considerações pessoais: Pollyanna foi o livro que me tirou da ressaca literária. A narrativa flui de forma encantadora, como se fosse uma conversa leve que aquece o coração. A escrita de Eleanor é delicada e acessível, nos conduzindo página após página sem esforço. O que mais me marcou foi perceber como atitudes positivas, por menores que pareçam, podem refletir em quem está ao nosso redor – e, no fim, em nós mesmos. Não é à toa que, mesmo sendo uma história de mais de cem anos, ela continua atual e inspiradora.

Ao longo da leitura, vemos claramente como Pollyanna semeia o bem e, em troca, recebe apenas o bem. É impossível não sorrir diante de sua ingenuidade, mas também não se comover com a profundidade que suas palavras carregam. O livro mostra que esperança e bondade são sementes poderosas, capazes de brotar mesmo em terrenos áridos.

Foto por cottonbro studio em Pexels.com

No entanto, o romance também nos conduz a momentos de tensão. Pollyanna passa por um grande desafio após sofrer um acidente que ameaça sua capacidade de andar. É justamente aqui que o leitor sente a força do enredo: será que ela conseguirá manter o espírito do “jogo do contente” diante de algo tão doloroso?

O final de Pollyanna deixa uma pergunta no ar: o que acontecerá com a menina após o acidente? Essa dúvida é o que nos leva à sequência, Pollyanna Moça, onde acompanhamos os desdobramentos de sua vida e a forma como sua filosofia continua a moldar o caminho que trilha.

Pollyanna é mais do que um clássico da literatura infantojuvenil. É um lembrete atemporal de que a bondade pode transformar vidas e que até nos momentos mais sombrios podemos encontrar motivos para agradecer. A obra de Eleanor H. Porter continua viva porque toca algo essencial: a necessidade de acreditar no poder da esperança.

Esse é um livro que aquece o coração, inspira mudanças sutis e, acima de tudo, deixa aquela sensação doce de que, se olharmos com carinho, sempre haverá algo pelo qual sorrir.

E aí, esse é um livro para recordar? Sem dúvidas. E para praticar, também.

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