Fala, leitores!
Feliz Páscoa!!
Aproveitando esse feriado prolongado para falar de um livro que parecem simples à primeira vista, mas guardam mensagens tão importantes que atravessam gerações. O Coelhinho que Não Era de Páscoa, da incrível Ruth Rocha, é exatamente assim. Uma leitura curtinha, delicada e, ao mesmo tempo, cheia de significado — daquelas que a gente termina com um sorriso no rosto e uma reflexão guardada no coração.
A história nos apresenta Vivinho, um coelhinho que nasceu em uma família com uma tradição muito bem definida: todos ali, geração após geração, tinham uma única função na vida — ser coelhos da Páscoa. Produzir ovos, distribuir chocolates e manter viva essa tradição tão conhecida por todos. Parece fofo, né? E é mesmo… até deixar de ser.
Porque Vivinho não quer isso.
Diferente dos irmãos, que seguem naturalmente esse caminho, ele começa a se questionar. Será que ele precisa mesmo fazer aquilo que todos esperam? Será que não existe outra forma de viver? Aos poucos, esse incômodo cresce, e Vivinho decide experimentar outras possibilidades. Ele observa, aprende, se interessa por coisas novas e começa a trilhar um caminho próprio, ainda que isso vá contra tudo o que sua família acredita.

E é aqui que o livro brilha.
Ruth Rocha constrói uma narrativa leve, acessível para crianças, mas com uma camada de profundidade que conversa diretamente com adultos. Estamos falando sobre identidade, sobre liberdade de escolha e, principalmente, sobre o peso das expectativas familiares. Quantas vezes crescemos ouvindo o que “deveríamos ser”? Quantas vezes seguimos caminhos que não escolhemos por medo de decepcionar?
Vivinho representa exatamente esse rompimento — de forma doce, respeitosa, mas firme. Ele não rejeita sua família, não desrespeita suas origens, mas entende que pode existir além delas. E isso é poderoso demais.
Outro ponto encantador é a forma como a história se desenvolve sem conflito pesado. Não há grandes brigas, nem momentos dramáticos exagerados. Tudo acontece com naturalidade, quase como uma conversa. E isso torna a mensagem ainda mais bonita, porque mostra que mudanças não precisam ser traumáticas para serem transformadoras.
As ilustrações de Elisabeth Teixeira complementam perfeitamente essa proposta, trazendo leveza, cor e um encanto visual que aproxima ainda mais o leitor da história. Cada página reforça esse universo acolhedor, tornando a leitura ainda mais envolvente para os pequenos.
E aqui entra um ponto que, sinceramente, me pegou muito: esse é um livro perfeito para ser lido em família.
Para as crianças, ele ensina que está tudo bem ser diferente, explorar interesses e descobrir quem se é de verdade. Para os pais e responsáveis, fica um lembrete importante — às vezes, amar também é permitir que o outro siga um caminho diferente daquele que imaginamos.
E talvez essa seja a grande “moral” da história: tradição é bonita, mas não pode ser uma prisão. Cada criança carrega dentro de si um universo próprio, e respeitar isso é um dos maiores gestos de amor que existem.
O Coelhinho que Não Era de Páscoa pode até ser um livro infantil, mas sua mensagem é universal. É sobre crescer, se descobrir e, acima de tudo, ter coragem de ser quem se é — mesmo que isso signifique sair do roteiro esperado.
Eu faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar? 🐰📖💛

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