Missão Cupido

Fala, leitores!

Se você é do tipo que acredita que as melhores histórias de amor começam com uma grande amizade, então já pode abrir um sorriso, porque Missão Cupido tem exatamente essa energia. Para quem ama os quadrinhos da Alice Oseman e histórias que aquecem o coração sem precisar de grandes dramas, esse livro é praticamente um abraço em forma de leitura.

Aqui conhecemos Evan, um adolescente carismático, sensível e extremamente talentoso no universo da maquiagem. Diferente de muita gente da sua idade, ele já conquistou um certo reconhecimento na internet, compartilhando tutoriais e mostrando que maquiagem também é uma poderosa forma de expressão e identidade. Confesso que me identifiquei com ele logo de cara — afinal, também tenho esse pezinho no mundo da beleza, embora a fama ainda não tenha batido à minha porta (risos). Evan é aquele personagem fácil de gostar, do tipo que parece um amigo próximo em poucas páginas.

Mas não se engane: apesar do brilho e da criatividade, Evan também carrega inseguranças muito comuns à adolescência, o medo de não ser aceito, as dúvidas sobre sentimentos e aquela vontade silenciosa de encontrar um lugar seguro para ser exatamente quem se é.

A história começa a ganhar forma quando ele decide usar seus “talentos de cupido” para ajudar duas pessoas importantes em sua vida a se aproximarem. O plano parece simples, quase infalível… pelo menos na teoria. Só que, como todo bom romance nos ensina, sentimentos não seguem roteiros organizados. Entre tentativas, encontros e pequenos desastres emocionais, Evan acaba percebendo que talvez entender o coração dos outros seja mais fácil do que decifrar o próprio.

E é justamente nesse caminho que o livro cresce. O romance não surge de maneira apressada nem artificial; ele floresce aos poucos, com naturalidade, como acontece nas relações mais verdadeiras. Existe uma delicadeza muito bonita na forma como a narrativa mostra que o amor pode nascer da convivência, da confiança e daquele conforto raro de poder ser vulnerável com alguém.

Foto por 42 North em Pexels.com

Vale destacar que Missão Cupido é uma graphic novel — uma história contada em formato de quadrinhos — o que transforma a leitura em uma experiência ainda mais dinâmica e envolvente. As expressões, as cores suaves e cada detalhe visual ampliam as emoções dos personagens, quase como se estivéssemos assistindo a cenas de um filme romântico cheio de ternura.

E aqui vai uma curiosidade que deixa tudo ainda mais especial: a ilustradora também esteve envolvida em projetos relacionados a obras extremamente queridas pelo público, como Vermelho, Branco e Sangue Azul, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Matilda, entre outros sucessos. Ou seja, estamos falando de um trabalho artístico com uma sensibilidade que conversa diretamente com histórias que marcaram gerações — e isso aparece em cada página.

Outro ponto que me conquistou foi a forma natural com que o livro aborda identidade, pertencimento e descobertas pessoais. Nada soa forçado ou pedagógico demais; tudo acontece com leveza, como uma conversa sincera entre amigos. Existe representatividade aqui, mas, acima de tudo, existe verdade.

A leitura é rápida, confortável e perigosa — daquelas que você pega para ler “só mais uma página” e, quando percebe, já está sorrindo para o livro. Missão Cupido não tenta ser grandioso, e talvez seja exatamente por isso que funcione tão bem. Ele encontra beleza nas pequenas coisas: nos gestos tímidos, nos olhares demorados e nas conexões que surgem quando menos esperamos.

No fim, fica aquela sensação gostosa de ter acompanhado algo puro, quase nostálgico. É como lembrar do próprio primeiro amor ou das amizades que ajudaram a moldar quem nos tornamos. Será que teremos uma sequencia? Espero que sim!!

Eu faço a resenha, mas deixo com vocês a pergunta: Esse é um livro para recordar?

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